Tecendo Negócios https://tecendonegocios.com.br/ Porque empreender é o nosso DNA. Wed, 22 Jul 2026 10:14:26 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.2 https://tecendonegocios.com.br/wp-content/uploads/2025/08/elementor/thumbs/Untitled-design-2-2.webp Tecendo Negócios https://tecendonegocios.com.br/ 32 32 Kimi K3 e Qwen3.8: a China aposta na IA de peso aberto — e mira as margens dos EUA https://tecendonegocios.com.br/kimi-k3-qwen3-8-ia-china-peso-aberto/ https://tecendonegocios.com.br/kimi-k3-qwen3-8-ia-china-peso-aberto/#respond Wed, 22 Jul 2026 09:59:18 +0000 https://tecendonegocios.com.br/?p=1083 Há um vício antigo no noticiário de tecnologia: confundir o anúncio com o fato. Toda semana surge um modelo de IA que, “segundo a própria empresa”, humilha os concorrentes — e a palavra decisiva dessa frase costuma ser justamente “segundo a própria empresa”. Convém ler as novidades vindas da China com o mesmo ceticismo cortês […]

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Há um vício antigo no noticiário de tecnologia: confundir o anúncio com o fato. Toda semana surge um modelo de IA que, “segundo a própria empresa”, humilha os concorrentes — e a palavra decisiva dessa frase costuma ser justamente “segundo a própria empresa”. Convém ler as novidades vindas da China com o mesmo ceticismo cortês com que se lê um balanço trimestral: com interesse, mas sem devoção.

Nesta semana, a Moonshot apresentou o Kimi K3 e a Alibaba respondeu com o Qwen3.8. Os números são generosos — trilhões de parâmetros, custo por token abaixo do praticado em San Francisco — e as promessas, ainda mais. A Moonshot garante que seu modelo supera a maioria dos sistemas americanos; a Alibaba se coloca a um passo dos melhores. Nenhuma das duas afirmações foi submetida a teste independente. Até 27 de julho, quando a Moonshot promete liberar os pesos completos, o que temos é retórica bem calibrada. Depois, teremos dados. A distância entre uma coisa e outra é toda a diferença entre o marketing e a engenharia.

Por que "peso aberto" importa mais que o ranking

O detalhe que merece a atenção do empresário não está na tabela de desempenho. Está na palavra “aberto”. Tanto o Kimi K3 quanto o Qwen3.8 devem sair com pesos abertos — qualquer desenvolvedor poderá baixá-los, adaptá-los e construir sobre eles. É escolha estratégica, não gesto de generosidade. Quem não consegue vender o produto mais caro do mercado tem duas saídas: baixar o preço ou entregar a ferramenta e cobrar por todo o resto. A China, impedida de disputar a fronteira em igualdade de condições, escolheu inundar o mundo de código gratuito. É a lógica de quem não pode ser dono da estrada e decide, então, pavimentá-la para todos — de preferência com asfalto de sua fabricação.

A corrida de IA EUA x China é, no fundo, uma guerra de margens

Para os americanos, o incômodo tem nome: margem. Enquanto OpenAI e Anthropic apostam no modelo fechado, sustentado por assinaturas e por uma aura de excelência, os chineses corroem por baixo a premissa de que inteligência artificial de ponta precisa ser cara. Se o desenvolvedor de Recife, de Nairóbi ou de Jacarta puder rodar um modelo competente sem pagar mensalidade a ninguém, a pergunta deixa de ser “qual é o melhor?” e passa a ser “quanto vale a diferença?”. Essa é uma pergunta mortal para quem cobra caro. então, pavimentá-la para todos — de preferência com asfalto de sua fabricação.

O custo escondido da IA gratuita

Não sejamos ingênuos na direção oposta. Peso aberto não é sinônimo de peso confiável. Modelo grande consome infraestrutura grande — e já há sinais de que a própria Moonshot suou para atender à demanda de seus serviços. Baixar dois trilhões de parâmetros é fácil; encontrar as máquinas para movê-los, nem tanto. O código pode ser livre; a conta de energia, jamais. Para a pequena e média empresa brasileira, a promessa de autonomia vem embrulhada num custo de operação que poucos leram nas letras miúdas.

O que muda para o seu negócio

Fica uma lição que independe de qual bandeira vencerá a corrida. A vantagem competitiva migrou. Não está mais em ter acesso ao melhor modelo — em breve, todos terão modelos muito bons e quase de graça. Está em saber o que fazer com eles: que problema real resolver, que processo enxugar, que cliente atender melhor. A ferramenta está prestes a virar commodity. O discernimento, não.

A liderança americana, dizem, está ficando apertada. Talvez. Mas quem observa essas disputas há tempo suficiente aprende que o placar do dia raramente decide o campeonato — e que o barulho do anúncio costuma ser inversamente proporcional à solidez do resultado. Esperemos o dia 27. Os pesos, afinal, falam mais alto que os comunicados.

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O trabalhador maior de idade https://tecendonegocios.com.br/pec-da-flexibilidade-jornada-de-trabalho-senado/ https://tecendonegocios.com.br/pec-da-flexibilidade-jornada-de-trabalho-senado/#respond Thu, 02 Jul 2026 15:35:39 +0000 https://tecendonegocios.com.br/?p=1059 PEC da Flexibilidade torna-se alternativa viável a Jornada 6×1 e aguarda votação no Congresso. Há algo de revelador no fato de que a discussão sobre jornadas de trabalho, matéria que deveria mobilizar economistas e juristas, tenha chegado ao Senado embalada sobretudo por cálculo eleitoral. Cabe agora aos senadores decidir se o Brasil terá um debate […]

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PEC da Flexibilidade é alternativa a Jornada 6x1

PEC da Flexibilidade torna-se alternativa viável a Jornada 6x1 e aguarda votação no Congresso.

Há algo de revelador no fato de que a discussão sobre jornadas de trabalho, matéria que deveria mobilizar economistas e juristas, tenha chegado ao Senado embalada sobretudo por cálculo eleitoral. Cabe agora aos senadores decidir se o Brasil terá um debate ou apenas mais um episódio da velha pantomima em que o Parlamento legisla para a plateia e envia a conta para a economia.

Aguarda votação na Casa a chamada PEC da Flexibilidade, do senador Rogério Marinho (PL-RN). Seu ponto de partida não é novo nem exótico: o princípio, consagrado pela reforma trabalhista de 2017, de que o negociado prevalece sobre o legislado. Dele decorre uma consequência que só parece radical a quem nunca observou o país de perto — num território com a diversidade regional, setorial e humana do Brasil, a norma única e uniforme é menos uma garantia que uma camisa de força.

Convém precisar o que a proposta faz e o que não faz. Ela não revoga direito algum; acrescenta uma faculdade. Férias, 13º, FGTS e os demais pisos constitucionais permanecem intactos, calculados sobre a carga horária que o próprio trabalhador tiver escolhido cumprir. Quem quiser trabalhar mais e ganhar mais, poderá; quem preferir jornada menor, com remuneração proporcional, também; quem precisar acomodar o expediente ao estudo, à família ou a um negócio próprio terá esse direito. A novidade, se é que há alguma, está em transferir a decisão de Brasília para o interessado.

Já a PEC aprovada na Câmara, que impõe a escala 5×2 de modo compulsório e uniforme, tropeça num obstáculo que não é de conveniência, mas de direito: rompe acordos coletivos já firmados entre patrões e empregados, atropelando a segurança jurídica e o ato jurídico perfeito. Convenções coletivas são contratos, e contratos não se desfazem por decreto de ocasião. Esse vício, sozinho, bastaria para recomendar ao Senado a rejeição do texto — e a abertura do debate sobre a alternativa.

No fundo, o que se opõe aqui são duas concepções de trabalhador. Uma o trata como menor tutelado, incapaz de assinar um contrato que reflita a própria vontade — postura que se apresenta como proteção e funciona como afronta. A outra aposta que o acordo livremente pactuado, respeitados os mínimos constitucionais, tende a ser mais justo que a norma desenhada por um Parlamento que desconhece a realidade de cada setor, de cada empresa, de cada empregado.

O sistema associativista pede aos senadores cautela: que leiam com rigor o que veio da Câmara e não subscrevam, por pressa eleitoral, um texto de consequências duradouras. A PEC da Flexibilidade não escolhe um lado contra o outro; protege trabalhador e empreendedor ao mesmo tempo, o que talvez explique por que incomoda tanto os que vivem de opô-los.

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Na 25 de Março, o jogo é de xadrez, não de futebol https://tecendonegocios.com.br/5-de-marco-copa-do-mundo-festa-junina-vendas/ https://tecendonegocios.com.br/5-de-marco-copa-do-mundo-festa-junina-vendas/#respond Tue, 23 Jun 2026 19:27:32 +0000 https://tecendonegocios.com.br/?p=1048 Copa do Mundo e Festas Juninas impõem ao lojista paulistano uma lógica de gestão que nada tem de passional — estoque enxuto, reposição rápida e o calendário de santos como rede de segurança Uma tensão produtiva Há uma tensão produtiva, e não raro lucrativa, no fato de que a Copa do Mundo e as Festas […]

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Copa do Mundo e Festas Juninas impõem ao lojista paulistano uma lógica de gestão que nada tem de passional

Copa do Mundo e Festas Juninas impõem ao lojista paulistano uma lógica de gestão que nada tem de passional — estoque enxuto, reposição rápida e o calendário de santos como rede de segurança

Uma tensão produtiva

Há uma tensão produtiva, e não raro lucrativa, no fato de que a Copa do Mundo e as Festas Juninas coincidem no mesmo calendário comercial. Para o lojista da rua 25 de Março, no centro de São Paulo, essa sobreposição não é acidente folclórico: é problema de gestão. E os que souberem resolvê-lo bem — com frieza, não com entusiasmo — sairão do semestre em situação razoavelmente melhor do que aqueles que apostaram na paixão nacional como se ela fosse variável controlável.

A lógica que emerge das conversas com dirigentes da Univinco — a União dos Lojistas da Rua 25 de Março — é direta: a Copa oferece potencial de lucro extraordinário, mas apenas se a Seleção avançar; as Festas Juninas, por outro lado, são calendário fixo, irredutível, distribuído em três datas certas — Santo Antônio no dia 13, São João no 24, São Pedro no 29. Nenhum resultado de campo as cancela. Nenhuma eliminação precoce as compromete.

A estratégia que prevalece é, portanto, a do lastro seguro: montar estoque generoso de bandeirinhas, chapéus de palha, balões e toalhas xadrezes — produtos com saída previsível, independente da sorte do Brasil no Catar ou em qualquer outro campo neutro. Sobre esse piso estável, a Copa entra como camada de oportunidade: itens de torcida com volume menor, repostos rapidamente caso o escrete vença. O risco, assim, fica delimitado. A margem potencial, ampliada.

Jorge Dib, dirigente da Univinco e à frente do Depósito de Meias São Jorge, admite que a cautela prevaleceu no setor ao entrar no estoque de artigos verde-e-amarelo. O que comprou, vendeu. E mais: nos últimos dez dias, o nicho da Seleção, para sua própria surpresa, explodiu. A conclusão prática é de quem conhece o ofício: focar em itens que puxem a venda de outros, trabalhar giro alto com margem menor, não apostar no volume como se a torcida fosse passível de planejamento.

O varejo como jogo de probabilidades

Há uma dimensão estrutural nessa equação que vai além da sazonalidade. A clientela da 25 de Março — formada essencialmente por microempreendedores e revendedores da periferia — opera com capital de giro exíguo e nenhuma tolerância a encalhe. Para esse público, o erro de estoque não é linha contábil; é caixa que não fecha. Por isso a prudência com a Copa não é falta de patriotismo: é sobrevivência.

Cláudia Urias, diretora executiva da Univinco, sublinha o alcance territorial das Festas Juninas como diferencial que lhes confere consistência superior à Copa: enquanto o futebol concentra o consumo nos dias de jogo, os arraiais se espalham por escolas, igrejas, clubes e empresas em todo o território nacional, com ciclo de vendas que se prolonga até meados de julho. A Copa mobiliza mais paixão; as festas, mais receita previsível.

O saldo final do período ainda é incerto — ambos os lados concordam nisso. Mas a combinação dos dois eventos, bem gerida, aponta para crescimento de fluxo e de receita acima do padrão histórico do segundo trimestre. O que os dados ainda não dizem, mas a experiência do setor já sugere, é que o lojista brasileiro aprendeu a torcer com uma calculadora na mão. E isso, a rigor, é progresso.

Baseado em reportagem de Melina Dias publicada no Diário do Comércio em 22 de junho de 2026.

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Gestão de pessoas em tempos de IA: como liderar equipes que trabalham com máquinas https://tecendonegocios.com.br/gestao-de-pessoas-ia/ https://tecendonegocios.com.br/gestao-de-pessoas-ia/#respond Tue, 23 Jun 2026 14:31:19 +0000 https://tecendonegocios.com.br/?p=1038 A inteligência artificial não veio apenas para automatizar tarefas — ela veio para redefinir o papel das pessoas nas organizações. E cabe ao líder entender essa equação antes que ela o pegue de surpresa. O novo perfil do colaborador Em 2026, as empresas que se destacam não são aquelas que substituíram pessoas por máquinas — […]

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A inteligência artificial não veio apenas para automatizar tarefas — ela veio para redefinir o papel das pessoas nas organizações.

A inteligência artificial não veio apenas para automatizar tarefas — ela veio para redefinir o papel das pessoas nas organizações. E cabe ao líder entender essa equação antes que ela o pegue de surpresa.

O novo perfil do colaborador

Em 2026, as empresas que se destacam não são aquelas que substituíram pessoas por máquinas — são as que souberam combinar os dois. O colaborador de alto desempenho hoje é aquele que sabe trabalhar com ferramentas de IA, não competir contra elas.

Isso exige um novo conjunto de habilidades que vai além do técnico: pensamento crítico, criatividade, comunicação e — acima de tudo — a capacidade de fazer as perguntas certas.

O papel do líder nessa transição

Se antes o gestor precisava saber tudo sobre o trabalho da sua equipe, hoje ele precisa saber guiar pessoas em território de incerteza. Isso significa:

  • Criar espaço seguro para experimentação e erro calculado
  • Investir em desenvolvimento contínuo — não apenas em treinamentos técnicos, mas em habilidades comportamentais
  • Ser transparente sobre o que a IA faz e não faz dentro da empresa
  • Reconhecer e valorizar a criatividade humana que a IA não consegue replicar

Retenção de Talentos: o desafio maior

Pesquisas recentes mostram que profissionais qualificados hoje avaliam seus empregadores pelo quanto investem no seu desenvolvimento frente às novas tecnologias. Empresas que ignoram esse dado estão, silenciosamente, perdendo seus melhores talentos para concorrentes que tratam a capacitação como estratégia, não como custo.

A pergunta não é mais “minha equipe vai ser substituída pela IA?”. A pergunta certa é: “estou preparando minha equipe para prosperar ao lado da IA?”

Tecendo Negócios: conectando empreendedores ao futuro

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O país mais caro do seu próprio atraso https://tecendonegocios.com.br/o-pais-mais-caro-do-seu-proprio-atraso/ https://tecendonegocios.com.br/o-pais-mais-caro-do-seu-proprio-atraso/#respond Tue, 23 Jun 2026 10:37:26 +0000 https://tecendonegocios.com.br/?p=1007 Brasil cai para a 65ª posição entre 70 países no ranking de competitividade do IMD/FDC — e confirma, com dados, o que o mercado já sabia há décadas. O Brasil voltou a fazer aquilo que faz com crescente competência: cair no ranking de competitividade mundial. Saiu da 58ª posição em 2025 para a 65ª em […]

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O Brasil voltou a fazer aquilo que faz com crescente competência: cair no ranking de competitividade mundial.

Brasil cai para a 65ª posição entre 70 países no ranking de competitividade do IMD/FDC — e confirma, com dados, o que o mercado já sabia há décadas.

O Brasil voltou a fazer aquilo que faz com crescente competência: cair no ranking de competitividade mundial. Saiu da 58ª posição em 2025 para a 65ª em 2026, entre 70 países avaliados pelo IMD World Competitiveness Center em parceria com a Fundação Dom Cabral. Restam abaixo do Brasil apenas Botsuana, Mongólia, Nigéria, Namíbia e Venezuela. Que companhia.

Não é surpresa. É confirmação. O país cresce 2,1% ao ano desde 1980, enquanto o mundo avança 3,6%. Entre 1950 e 1980, o Brasil crescia 7,3% — acima da média global de 4,5%. O que mudou desde então resume-se em poucas palavras: o Estado cresceu mais do que a economia. O gasto público saltou de 25% do PIB nos anos setenta para mais de 40% hoje, sem que se visse, em contrapartida, qualquer melhora proporcional nos serviços que o Estado teoricamente existe para prestar.

A taxa Selic em 14,25% com juro real entre 9% e 10% é o preço que toda empresa brasileira paga pelo desequilíbrio fiscal. Não é abstração macroeconômica: é a diferença entre um projeto que vai à frente e um projeto que fica na gaveta. O EBITDA some antes de o negócio começar. Nos últimos 12 meses, 1,5 milhão de empresas pediram recuperação judicial — número que, em qualquer país normal, provocaria uma crise política. Aqui, virou estatística de rodapé.

O Brasil aparece nas últimas posições em custo de capital, produtividade da força de trabalho, endividamento corporativo e educação básica. Num ranking de 76 países no PISA, o país ocupa a 65ª posição em Matemática, a 62ª em Ciências e a 52ª em Leitura. São dados que deveriam envergonhar qualquer governo — e qualquer oposição que se apresente como alternativa séria.

A assimetria da abertura comercial explica muito. A agropecuária, setor que se abriu ao exterior, registrou crescimento de produtividade de 6% ao ano nos últimos 30 anos. A indústria, protegida e subsidiada, viu a produtividade cair 0,2% ao ano no mesmo período. A lição é inequívoca: protecionismo não protege o trabalhador — protege o ineficiente à custa do restante.

A taxa de investimento da economia brasileira no primeiro trimestre deste ano foi de 16,5% do PIB. É baixa para qualquer padrão internacional e ínfima para um país que precisa recuperar décadas de atraso. Com o crédito caro e o ambiente imprevisível, o investidor — nacional ou estrangeiro — opta por cautela. Cautela que custa empregos, renda e futuro.

O populismo tem calendário próprio

E, no meio desse cenário, o que o Senado discute? O fim da escala 6×1 e a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais. O timing é revelador. É ano pré-eleitoral. Reduzir jornada sem aumentar produtividade é distribuir algo que ainda não existe. O custo recai sobre pequenos negócios no comércio e nos serviços, estimula a informalidade e acrescenta mais um degrau à ladeira que o país já desce com desenvoltura.

O economista Antonio Lanzana, da USP, resume o problema com precisão cirúrgica: as condições de trabalho deveriam ser negociadas entre empresários e trabalhadores, levando em conta as particularidades de cada setor. “Infelizmente, o populismo fala mais alto, principalmente considerando que é um ano de eleições.” Dito assim, sem rodeios, como convém a quem analisa décadas de escolhas erradas.

A saída está na conta de sempre

A saída conhecida há décadas: controle de gastos, abertura comercial, reforma administrativa, ambiente previsível para negócios e investimento eficiente em educação. A reforma tributária ajuda, mas no médio prazo. Educação, no longo. O problema é que o curto prazo eleitoral consome os dois.

O PISA é eloquente. Com um dos maiores investimentos em educação como proporção do PIB entre os países em desenvolvimento, o Brasil figura na 65ª posição em Matemática entre 76 países avaliados. O dinheiro vai, o resultado não vem. A ineficiência do gasto público é transversal — não respeita ministério, não distingue área.

O Brasil tem mercado interno relevante, tem posição geopolítica e atrai investidores apesar de si mesmo. Mas “apesar de si mesmo” é fraca fundação para um país que quer crescer. Gana e Peru, economias menores e menos conhecidas, têm ambiente de negócios melhor avaliado. Isso não é acidente estatístico — é resultado de escolhas.

65º entre 70 não é azar. É política.

Fonte: Diário do Comércio

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O Estado descobre que gentileza também compensa https://tecendonegocios.com.br/cadastro-fiscal-positivo/ https://tecendonegocios.com.br/cadastro-fiscal-positivo/#respond Fri, 12 Jun 2026 14:43:42 +0000 https://tecendonegocios.com.br/?p=975 São Paulo acaba de inventar uma novidade que, em qualquer país organizado, seria pura obviedade: tratar bem quem paga as contas. Chama-se Cadastro Fiscal Positivo, criado por resolução da Procuradoria-Geral do Estado, e começa a valer dentro de 30 dias. A ideia é simples — talvez por isso tenha demorado tanto para nascer. A receita […]

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O Cadastro Fiscal Positivo, criado por resolução da Procuradoria-Geral do Estado

São Paulo acaba de inventar uma novidade que, em qualquer país organizado, seria pura obviedade: tratar bem quem paga as contas. Chama-se Cadastro Fiscal Positivo, criado por resolução da Procuradoria-Geral do Estado, e começa a valer dentro de 30 dias. A ideia é simples — talvez por isso tenha demorado tanto para nascer.

A receita é a seguinte. A empresa que negociou sua dívida com o Fisco, que mantém as parcelas em dia, que oferece garantias sólidas e não fica brigando na Justiça por qualquer cobrança, passa a ter prioridade na análise de transações tributárias, certidões de regularidade com prazo mais longo e atendimento diferenciado. Em outras palavras: quem cumpre a palavra deixa de ser tratado como suspeito.

Pode parecer pouco. Não é. Durante décadas, o contribuinte brasileiro aprendeu que pontualidade fiscal é virtude sem recompensa — o bom pagador faz fila igual ao sonegador contumaz, às vezes pior, porque o sonegador profissional sabe como navegar no contencioso e o pagador disciplinado não tem tempo nem advogado de plantão para isso. O novo cadastro reconhece, ainda que tardiamente, que essa equivalência é um erro de cálculo do próprio Estado: ela empurra para a inadimplência quem hesita entre pagar ou não pagar.

A lista parte com 41 empresas — petroquímicas, construtoras, varejo, telecomunicações, cimenteiras — somando R$ 549 milhões em dívida ativa, boa parte em disputas de ICMS, o imposto que mais alimenta tribunais neste país. Os critérios de entrada são objetivos: pelo menos 80% do débito já em programa de renegociação e 80% do valor coberto por garantia — seguro, fiança ou imóvel. Sem favor, sem cochicho, sem padrinho. Um raro caso em que a régua é a mesma para todos.

A procuradora-geral Inês Coimbra resumiu bem o espírito da medida: o objetivo é “diferenciar esse bom pagador daqueles contribuintes que têm na inadimplência uma forma de atuação, quase um diferencial competitivo”. É preciso repetir essa frase, porque ela descreve uma distorção que o mercado conhece bem. Existe empresa que faz da dívida tributária uma estratégia de caixa, sabendo que o custo de não pagar é menor que o custo do crédito bancário. Essas companhias competem com vantagem desleal contra quem recolhe imposto em dia — e é essa vantagem que o novo cadastro tenta, finalmente, neutralizar.

Claro que o programa nasce pequeno e cauteloso: limite de 50 participantes nos três primeiros meses, reavaliação trimestral, possibilidade de entrar e sair da lista conforme o comportamento do contribuinte. A PGE-SP prefere testar antes de generalizar — postura sensata, ainda que modesta diante do tamanho do problema. O Acordo Paulista, programa que deu origem a esse cadastro, já acumula R$ 63,4 bilhões em débitos renegociados. Se a lógica funcionar, o desafio será multiplicar essa experiência sem perder o rigor que a torna confiável.

Vale notar o que a medida não é: não é perdão, não é desconto disfarçado, não é mais uma daquelas “renegociações especiais” que, na prática, ensinam o contribuinte a esperar a próxima anistia em vez de pagar a conta no vencimento. O Cadastro Fiscal Positivo trabalha na direção contrária — premia quem já decidiu acertar as contas e quer previsibilidade para continuar nessa linha.

Resta a pergunta inevitável: por que só agora? A resposta, suspeito, está menos na vontade política do que na pressão dos números. Com o contencioso tributário brasileiro consumindo bilhões em tempo de procuradores, juízes e departamentos jurídicos — recursos que poderiam estar em qualquer lugar produzindo riqueza —, criar um caminho que reduza litígio passou a ser, mais do que boa vontade, boa administração. Tarde, mas bem-vinda.

Se o exemplo pegar, talvez um dia o contribuinte paulista descubra algo que parecia impossível: que pagar imposto em dia pode, sim, valer a pena. Não é pouco para um país onde, historicamente, dever ao Fisco compensava mais do que honrar compromissos com ele.

Fonte: Diário do Comércio/SP

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A ressurreição da LG e o novo culto à inteligência física https://tecendonegocios.com.br/lg-electronics-ia-fisica-robotica-alta-300/ https://tecendonegocios.com.br/lg-electronics-ia-fisica-robotica-alta-300/#respond Wed, 03 Jun 2026 22:13:42 +0000 https://tecendonegocios.com.br/?p=950 Fabricante sul-coreana vê suas ações quadruplicarem em 2026 ao apostar na convergência entre robótica e IA — e um encontro com Jensen Huang vira catalisador de expectativas estratosféricas Há uma certa ironia elegante no fato de que a LG Electronics — empresa cujo nome carregava, até pouco tempo, a melancolia das marcas que perderam o […]

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A ressurreição da LG e o novo culto à inteligência física

Fabricante sul-coreana vê suas ações quadruplicarem em 2026 ao apostar na convergência entre robótica e IA — e um encontro com Jensen Huang vira catalisador de expectativas estratosféricas

Há uma certa ironia elegante no fato de que a LG Electronics — empresa cujo nome carregava, até pouco tempo, a melancolia das marcas que perderam o passo na corrida dos semicondutores — tenha se tornado, em 2026, o objeto de desejo de uma geração de investidores ávidos por apostas na chamada inteligência física. As ações da companhia sul-coreana acumulam valorização superior a 300% no ano; número que, dito assim, soa quase como erro tipográfico, mas que os terminais financeiros confirmam com a frieza costumeira dos fatos consumados.

A narrativa que sustenta esse movimento bursátil não é nova — a convergência entre robótica e inteligência artificial vem sendo anunciada, com variados graus de seriedade, desde pelo menos a metade da década passada. O que mudou, e de forma suficientemente brusca para alterar a paisagem do mercado global, é o ritmo com que essa convergência passou a se materializar em produtos, contratos e expectativas de receita. A LG, que assistiu à corrida sul-coreana dos chips em 2025 de um camarote confortável e inerte, acordou para a segunda rodada com uma identidade reformulada: não mais a fabricante de televisores e eletrodomésticos que todos conheciam, mas um player em construção acelerada no universo da robótica aplicada.

O episódio mais recente dessa saga corporativa tem a textura das histórias que Wall Street e Seoul adoram simultaneamente: o presidente do grupo LG, Koo Kwang-mo, confirmou um encontro com Jensen Huang, o onipresente CEO da Nvidia, para o dia 5 de junho. A notícia foi suficiente para fazer a ação atingir o limite diário de valorização — 30% — por duas sessões consecutivas. Que a reunião entre dois executivos seja capaz de mover bilhões de dólares em capitalização de mercado antes mesmo de que qualquer parceria seja formalizada diz menos sobre a solidez dos fundamentos da LG e mais sobre a natureza especulativa do momento: o mercado não compra empresas, compra expectativas, e expectativas bem encenadas dispensam resultado imediato.

Não seria justo, porém, reduzir o movimento inteiro à espuma especulativa. Há substância sob a superfície agitada. A LG tem investido concretamente em robótica de serviço, automação industrial e no desenvolvimento de plataformas capazes de integrar hardware e software num ciclo mais próximo do que a indústria chama de IA embarcada — aquela que age sobre o mundo físico, e não apenas o processa em servidores remotos. É precisamente essa distinção que o mercado passou a valorizar em 2026, numa espécie de correção de rota em relação ao entusiasmo anterior, que privilegiava quase exclusivamente as empresas de infraestrutura de dados.

O caso da LG Electronics ilustra, com precisão quase didática, uma dinâmica que se repete em ciclos de transformação tecnológica: as empresas que chegam tarde à festa muitas vezes chegam mais bem equipadas, porque puderam observar os erros alheios antes de comprometer capital. A pergunta que os analistas ainda debatem é se essa vantagem do retardatário consciente será suficiente para sustentar uma valorização que já coloca a companhia em patamares históricos — ou se o encontro de junho entre Koo e Huang será lembrado, daqui a alguns anos, como o pico de uma euforia que a realidade dos balanços tratou, com sua habitual indiferença, de corrigir.

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Liderança no Modelo Híbrido: O Que Separa os Bons dos Ótimos Gestores https://tecendonegocios.com.br/lideranca-no-modelo-hibrido-o-que-separa-os-bons-dos-otimos-gestores/ https://tecendonegocios.com.br/lideranca-no-modelo-hibrido-o-que-separa-os-bons-dos-otimos-gestores/#respond Wed, 03 Jun 2026 21:53:59 +0000 https://tecendonegocios.com.br/lideranca-no-modelo-hibrido-o-que-separa-os-bons-dos-otimos-gestores/ Gerenciar equipes híbridas vai além de ferramentas. Veja as práticas que distinguem líderes de alta performance em 2026.

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O que os melhores líderes aprenderam sobre trabalho híbrido (e você ainda não sabe)

Em 2024, uma pesquisa da consultoria McKinsey revelou que 65% dos trabalhadores brasileiros preferem o modelo híbrido ao presencial integral. Em 2026, esse número só cresceu — e com ele, o desafio de líderes que ainda gerenciam equipes distribuídas como se todos estivessem no mesmo escritório.

A transição para o híbrido não é sobre tecnologia. É sobre presença intencional. E aqui está o paradoxo: líderes que passaram a estar menos fisicamente presentes com suas equipes se tornaram — quando fizeram a lição de casa — líderes muito mais presentes na vida profissional de cada colaborador.

As armadilhas do híbrido mal gerenciado

O modelo híbrido falha quando as empresas copiam o escritório para o digital sem questionar o que faz sentido manter. Reuniões que poderiam ser um e-mail viram videoconferências de uma hora. A cultura de “parecer ocupado” migra para notificações às 22h. O colaborador remoto fica invisível nas promoções — fenômeno que pesquisadores chamam de proximity bias, ou viés da proximidade.

Um dado preocupante: segundo a Gallup, profissionais que trabalham remotamente têm 30% mais chances de se sentir desengajados quando não há rituais estruturados de conexão com a equipe.

O que líderes de alta performance fazem diferente

Líderes que colhem os melhores resultados no híbrido compartilham três práticas:

1. Reuniões de check-in individuais curtas e regulares. Não para cobrar entregas, mas para perguntar como a pessoa está. Quinze minutos, uma vez por semana. Parece pouco. Faz uma diferença enorme.

2. Transparência radical sobre decisões. No híbrido, quem não sabe o “porquê” das decisões inventa um — e geralmente inventa o pior. Comunicar o raciocínio por trás de cada mudança relevante evita rumores e aumenta confiança.

3. Documentação como cultura. Equipes de alta performance no híbrido escrevem o que decidem. Não por burocracia, mas porque a memória organizacional não pode depender de quem estava na sala naquele dia.

Liderar no híbrido é, antes de tudo, liderar com intenção. Cada interação conta mais quando são menos frequentes. E isso, para o bem ou para o mal, expõe os líderes de uma forma que o escritório escondia.

Você já avaliou quais hábitos de liderança do presencial ainda fazem sentido na sua realidade híbrida — e quais precisam ser reinventados?

Tecendo Negócios — conectando empreendedores ao futuro.

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IA Generativa no Atendimento ao Cliente: Como PMEs Podem Usar em 2026 https://tecendonegocios.com.br/ia-generativa-no-atendimento-ao-cliente-como-pmes-podem-usar-em-2026/ https://tecendonegocios.com.br/ia-generativa-no-atendimento-ao-cliente-como-pmes-podem-usar-em-2026/#respond Wed, 03 Jun 2026 21:53:31 +0000 https://tecendonegocios.com.br/ia-generativa-no-atendimento-ao-cliente-como-pmes-podem-usar-em-2026/ Ferramentas de IA já estão ao alcance de pequenas empresas. Veja como usar sem precisar de equipe técnica.

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O atendimento mudou — e quem não acompanhou ficou para trás

Em 2026, a inteligência artificial generativa deixou de ser privilégio de grandes corporações. Hoje, uma padaria em Belo Horizonte ou uma loja de roupas em Fortaleza pode usar as mesmas ferramentas que o Mercado Livre usa para atender clientes — sem contratar um programador sequer.

A pergunta não é mais “minha empresa precisa de IA?”. A pergunta é: “quanto dinheiro estou deixando na mesa por não usar?”

O que a IA generativa pode fazer pelo seu atendimento

Diferente dos antigos chatbots que frustravam clientes com respostas robotizadas, as ferramentas atuais entendem contexto, respondem de forma natural e aprendem com as interações. Veja aplicações práticas:

  • Atendimento 24/7 no WhatsApp: ferramentas como ManyChat, Typebot e Z-API com IA respondem dúvidas, fazem cotações e até fecham vendas enquanto você dorme.
  • Triagem de e-mails: classificam e respondem automaticamente as mensagens mais simples, deixando apenas as complexas para você.
  • FAQ inteligente no site: em vez de uma lista estática de perguntas, o cliente digita qualquer dúvida e recebe uma resposta personalizada.
  • Resumo de feedbacks: a IA lê centenas de avaliações no Google ou Reclame Aqui e entrega um relatório com os principais pontos de melhoria.

Por onde começar sem se perder

O erro mais comum é querer automatizar tudo de uma vez. Comece pequeno: escolha um canal (geralmente o WhatsApp, onde está a maioria dos clientes brasileiros) e uma função (por exemplo, responder perguntas sobre horário, preço e disponibilidade).

Ferramentas como o ChatGPT com integração via Zapier, o Botpress ou o Respond.io permitem configurar um assistente funcional em menos de um dia — sem código. Os planos básicos começam a partir de R$ 150/mês, e o retorno costuma aparecer nas primeiras semanas.

“A IA não substitui o relacionamento humano. Ela libera seu time para ter conversas que realmente importam.”

O segredo está na configuração inicial: quanto mais você treinar a ferramenta com as dúvidas reais dos seus clientes, melhor ela vai performar. Dedique duas horas na primeira semana para isso e colha os resultados nos meses seguintes.

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A Indústria da Boa Palavra: Palestrantes, Mensagem e o Abismo Entre o Palco e a Vida https://tecendonegocios.com.br/palestrantes-motivacionais-brasil-mensagem-coerencia/ https://tecendonegocios.com.br/palestrantes-motivacionais-brasil-mensagem-coerencia/#comments Wed, 03 Jun 2026 10:35:28 +0000 https://tecendonegocios.com.br/?p=903 Há um fenômeno em curso no Brasil que merece ser observado com a lupa que os economistas reservam para bolhas e os psicólogos para delírios coletivos: o mercado de palestras corporativas cresce 40% em dois anos, movimenta R$ 100 milhões anuais, produz aproximadamente 300 mil eventos a cada doze meses — e nunca o país […]

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Palestrantes, Mensagem e o Abismo Entre o Palco e a Vida

Há um fenômeno em curso no Brasil que merece ser observado com a lupa que os economistas reservam para bolhas e os psicólogos para delírios coletivos: o mercado de palestras corporativas cresce 40% em dois anos, movimenta R$ 100 milhões anuais, produz aproximadamente 300 mil eventos a cada doze meses — e nunca o país teve tanto a aprender, com tão poucos resultados demonstráveis. O dado é da Folha de S.Paulo, citado por agenciadoras do setor em dezembro de 2025. A conclusão, esta, é minha.

Não se trata de cinismo gratüito nem de desprezo pela palavra pública. A palavra pública é, aliás, das coisas mais sérias que existem. O problema está precisamente aí: quando a palavra se industrializa, quando o verbo se transforma em cachê, quando a sabedoria vira produto com preço de tabela e slot de 60 minutos no auditório corporativo — algo essencial se perde no processo, da mesma forma que o suco de fruta perde vitaminas quando enlatado e adocicado para a prateleira do supermercado.

O Mercado e Seus Números

Flávio Augusto da Silva, fundador da Wise Up e talvez o palestrante mais caro do país, cobra R$ 590 mil por hora de apresentação e anuncia que ajustará o valor para R$ 1 milhão em 2026. O dado foi reportado em dezembro de 2025 pelo portal Hub Mídia Web e pela Agência DC News. Flávio Augusto justifica o preço como mecanismo regulador de demanda — o que, convenhamos, é uma resposta elegante para uma pergunta embaraçosa. Afinal, se o conteúdo salva empresas e transforma vidas, por que torná-lo acessível apenas a quem pode pagar o equivalente ao salário anual de um professor universitário?

A pergunta é retórica, mas não inócua.

O mercado, como registra a Sociedade Brasileira de Palestrantes, está em franca expansão. A indústria global de desenvolvimento pessoal — que abrange coaches, treinadores e palestrantes — faturou US$ 4,564 bilhões em dado levantado pelo portal Terra, com crescimento de 60% na receita. No Brasil, a Exame registrou em reportagem recente que há empresas que faturam R$ 80 milhões ao transformar pessoas comuns em palestrantes com agenda cheia. O negócio, portanto, não é apenas palestrar: é ensinar outros a palestrar. A indústria reproduz a si mesma com uma eficiência que Darwin aprovaria.

O resultado é previsível: há, segundo especialistas ouvidos pelo portal Palestras de Sucesso, muito mais palestrante não ganhando dinheiro e disponível no mercado do que profissionais que efetivamente entregam valor. É a lei da oferta mal calibrada: quando todos decidem que têm algo a ensinar, o que se dilui não é a demanda — é a credibilidade.

A Gramática do Palco

Seria injusto negar que há palestrantes de substância. Mário Sérgio Cortella, filósofo e professor, navega com propriedade entre Aristóteles e a sala de reuniões. Clóvis de Barros Filho mergulha em ética sem apelar para o senso comum. Leandro Karnal converte a história em espelho do presente com uma habilidade que poucos professores universitários conseguem emular. Bernardinho transformou sua experiência real de treinador campeão olímpico em lição de liderança com respaldo empírico. Esses nomes têm em comum algo que o mercado cada vez mais rareia: uma trajetória que antecede e sustenta o discurso.

O problema não está nos bons palestrantes. O problema está nos outros — e nos outros, lamentavelmente, há muitos.

A pesquisadora da Agência Universitária de Notícias da USP, em análise publicada em 2018 e ainda perturbadoramente atual, identificou que o discurso motivacional é, ao mesmo tempo, frágil e extremamente eficaz. A eficácia não deriva da solidez do conteúdo, mas da disposição do público para crer: as pessoas buscam respostas e as encontram em esquemas, estruturas de pensamento e, sobretudo, em narrativas. O pesquisador Jorge Gonçalves de Oliveira Júnior, do Departamento de Antropologia da USP, foi ainda mais preciso ao apontar o reducionismo como pecado capital do gênero: os discursos acabam sendo redutores, porque sugerem que existe apenas um caminho para a felicidade e para o sucesso — e esse caminho, não por acaso, passa pelo auditório onde o palestrante está sendo pago para falar.

A convergência entre discurso científico e subtexto religioso que Gonçalves identificou é particularmente reveladora. O palestrante moderno usa o vocabulário da neurociência (“circuitos neurais de alta performance”), da psicologia positiva (“mindset de crescimento”) e, em certos nichos, da espiritualidade (“propósito”) para construir uma autoridade que soa ao mesmo tempo racional e transcendente. É um produto bem-acabado. O problema é quando o fabricante não usa aquilo que vende.

A Questão da Coerência

Aqui chegamos ao nó górdio da questão.

O palestrante que advoga pela gestão impecável do tempo chega atrasado às reuniões de sua própria equipe. O que prega inteligência emocional perde o controle ao menor sinal de contrariédade no escritório. O que vende resiliência demite funcionários por e-mail. O que ensina família em primeiro lugar passa os fins de semana voando de cidade em cidade, ausente de casa, para ensinar outras pessoas a colocar família em primeiro lugar. A ironia seria cômica se não fosse, em muitos casos, tragicamente rotineira.

Não se trata de exigir perfeição. Seria ingênuo — e, de certo modo, cruel — cobrar dos mortais que encarnem integralmente aquilo que pregam. A vida é mais complicada do que qualquer palestra de 60 minutos consegue capturar. Mas há uma diferença fundamental entre a imperfeicão humana ineviível e a dissociação sistemática entre o que se diz no palco e o que se faz na vida cotidiana.

O depoimento sobre o palestrante Gilberto Wiesel é curiosamente revelador pela exceção que representa: “A diferença entre as palestras do Gilberto e a grande maioria das que são proferidas por outros palestrantes motivacionais do país é que ele consegue manter consistência e coerência entre tudo aquilo que prega e a realidade que vive.” O fato de a coerência ser tratada como diferencial competitivo — e não como pré-requisito óbvio — diz tudo sobre o estado da indústria.

A plataforma de autoridade digital Informe 365 registrou, com precisão desconcertante, que “a autoridade que perdura é aquela que inspira, não a que tenta impressionar.” São sentenças que qualquer palestrante diria do palco. Quantos as aplicam em sua própria presença digital? Observe o LinkedIn de qualquer palestrante mediano: é uma sucessão de frases de efeito atribuídas a si mesmo, fotografias em palcos iluminados e indicadores de “impacto” mensurados pelo número de pessoas que aplaudiram — não pelo número de vidas que efetivamente mudaram.

O Que Sustenta a Bolha

O mercado corporativo, curiosamente, começa a acordar. O portal Criativa Online registrou que o público empresarial está “cada vez mais crítico” e percebe “rapidamente quando o conteúdo é superficial.” O conhecimento sólido, segundo esta análise, é o que permite que a palestra “provoque reflexão com profundidade, não apenas emoção momentânea.”

A emoção momentânea, aliás, é o produto mais vendido do setor. O palestrante que arranca lágrimas no auditório corporativo tem mais chance de ser reconvocado do que o que deixa perguntas incômodas no ar. As organizações, em geral, não contratam palestras para serem perturbadas: contratam para se sentir bem, para motivar equipes desgastadas, para sinalizar aos funcionários que a empresa “se importa” com seu desenvolvimento. É um teatro bem intencionado, mas é teatro.

O pesquisador da USP identificou que as pessoas estão “propensas a acreditar” e “buscam respostas.” Em um país marcado por desigualdade educacional, instabilidade econômica e déficit crônico de autoconfiança coletiva, a promessa motivacional preenche um vazio real. Seria cômodo e injusto atribuir a culpa inteiramente aos palestrantes: a indústria responde a uma demanda legítima com uma oferta, em muitos casos, inadequada. Mas a inadequação tem endereço. E tem CEP.

Uma Proposta Descabidamente Simples

A tradição retórica ocidental, desde Aristóteles, distingue três pilares da persuasão: o logos (a razão), o pathos (a emoção) e o ethos (o caráter). O ethos é o fundamento: é a credibilidade do falante que dá peso às suas palavras. Sem ethos, o logos vira argumento oco e o pathos vira manipulação.

O mercado de palestras brasileiro investiu pesado no pathos. Treinou exaustivamente o logos — ou sua simulação. Mas negligenciou o ethos com uma consistência que, ela mesma, já seria tema de uma boa palestra.

A proposta é simples ao ponto de parecer ingênua: antes de ensinar alguém a viver, viva. Antes de pregar coerência, seja coerente. Antes de cobrar R$ 590 mil para inspirar executivos, certifique-se de que a sua própria vida inspira as pessoas que trabalham com você de segunda a sexta-feira, sem holofote.

Não é uma exigência de santidade. É uma exigência de honestidade — que é, no fim das contas, o único ativo que nenhuma agência de palestrantes consegue fabricar nem precificar.

Gilberto Rocha Jr.

A palavra emana poder de quem tem o direito moral de proferi-la. O auditório aplaude sempre. A vida, no entanto, não mente.

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