Tecendo Negócios https://tecendonegocios.com.br/ Porque empreender é o nosso DNA. Fri, 12 Jun 2026 14:50:46 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://tecendonegocios.com.br/wp-content/uploads/2025/08/elementor/thumbs/Untitled-design-2-2.webp Tecendo Negócios https://tecendonegocios.com.br/ 32 32 O Estado descobre que gentileza também compensa https://tecendonegocios.com.br/cadastro-fiscal-positivo/ https://tecendonegocios.com.br/cadastro-fiscal-positivo/#respond Fri, 12 Jun 2026 14:43:42 +0000 https://tecendonegocios.com.br/?p=975 São Paulo acaba de inventar uma novidade que, em qualquer país organizado, seria pura obviedade: tratar bem quem paga as contas. Chama-se Cadastro Fiscal Positivo, criado por resolução da Procuradoria-Geral do Estado, e começa a valer dentro de 30 dias. A ideia é simples — talvez por isso tenha demorado tanto para nascer. A receita […]

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O Cadastro Fiscal Positivo, criado por resolução da Procuradoria-Geral do Estado

São Paulo acaba de inventar uma novidade que, em qualquer país organizado, seria pura obviedade: tratar bem quem paga as contas. Chama-se Cadastro Fiscal Positivo, criado por resolução da Procuradoria-Geral do Estado, e começa a valer dentro de 30 dias. A ideia é simples — talvez por isso tenha demorado tanto para nascer.

A receita é a seguinte. A empresa que negociou sua dívida com o Fisco, que mantém as parcelas em dia, que oferece garantias sólidas e não fica brigando na Justiça por qualquer cobrança, passa a ter prioridade na análise de transações tributárias, certidões de regularidade com prazo mais longo e atendimento diferenciado. Em outras palavras: quem cumpre a palavra deixa de ser tratado como suspeito.

Pode parecer pouco. Não é. Durante décadas, o contribuinte brasileiro aprendeu que pontualidade fiscal é virtude sem recompensa — o bom pagador faz fila igual ao sonegador contumaz, às vezes pior, porque o sonegador profissional sabe como navegar no contencioso e o pagador disciplinado não tem tempo nem advogado de plantão para isso. O novo cadastro reconhece, ainda que tardiamente, que essa equivalência é um erro de cálculo do próprio Estado: ela empurra para a inadimplência quem hesita entre pagar ou não pagar.

A lista parte com 41 empresas — petroquímicas, construtoras, varejo, telecomunicações, cimenteiras — somando R$ 549 milhões em dívida ativa, boa parte em disputas de ICMS, o imposto que mais alimenta tribunais neste país. Os critérios de entrada são objetivos: pelo menos 80% do débito já em programa de renegociação e 80% do valor coberto por garantia — seguro, fiança ou imóvel. Sem favor, sem cochicho, sem padrinho. Um raro caso em que a régua é a mesma para todos.

A procuradora-geral Inês Coimbra resumiu bem o espírito da medida: o objetivo é “diferenciar esse bom pagador daqueles contribuintes que têm na inadimplência uma forma de atuação, quase um diferencial competitivo”. É preciso repetir essa frase, porque ela descreve uma distorção que o mercado conhece bem. Existe empresa que faz da dívida tributária uma estratégia de caixa, sabendo que o custo de não pagar é menor que o custo do crédito bancário. Essas companhias competem com vantagem desleal contra quem recolhe imposto em dia — e é essa vantagem que o novo cadastro tenta, finalmente, neutralizar.

Claro que o programa nasce pequeno e cauteloso: limite de 50 participantes nos três primeiros meses, reavaliação trimestral, possibilidade de entrar e sair da lista conforme o comportamento do contribuinte. A PGE-SP prefere testar antes de generalizar — postura sensata, ainda que modesta diante do tamanho do problema. O Acordo Paulista, programa que deu origem a esse cadastro, já acumula R$ 63,4 bilhões em débitos renegociados. Se a lógica funcionar, o desafio será multiplicar essa experiência sem perder o rigor que a torna confiável.

Vale notar o que a medida não é: não é perdão, não é desconto disfarçado, não é mais uma daquelas “renegociações especiais” que, na prática, ensinam o contribuinte a esperar a próxima anistia em vez de pagar a conta no vencimento. O Cadastro Fiscal Positivo trabalha na direção contrária — premia quem já decidiu acertar as contas e quer previsibilidade para continuar nessa linha.

Resta a pergunta inevitável: por que só agora? A resposta, suspeito, está menos na vontade política do que na pressão dos números. Com o contencioso tributário brasileiro consumindo bilhões em tempo de procuradores, juízes e departamentos jurídicos — recursos que poderiam estar em qualquer lugar produzindo riqueza —, criar um caminho que reduza litígio passou a ser, mais do que boa vontade, boa administração. Tarde, mas bem-vinda.

Se o exemplo pegar, talvez um dia o contribuinte paulista descubra algo que parecia impossível: que pagar imposto em dia pode, sim, valer a pena. Não é pouco para um país onde, historicamente, dever ao Fisco compensava mais do que honrar compromissos com ele.

Fonte: Diário do Comércio/SP

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A ressurreição da LG e o novo culto à inteligência física https://tecendonegocios.com.br/lg-electronics-ia-fisica-robotica-alta-300/ https://tecendonegocios.com.br/lg-electronics-ia-fisica-robotica-alta-300/#respond Wed, 03 Jun 2026 22:13:42 +0000 https://tecendonegocios.com.br/?p=950 Fabricante sul-coreana vê suas ações quadruplicarem em 2026 ao apostar na convergência entre robótica e IA — e um encontro com Jensen Huang vira catalisador de expectativas estratosféricas Há uma certa ironia elegante no fato de que a LG Electronics — empresa cujo nome carregava, até pouco tempo, a melancolia das marcas que perderam o […]

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A ressurreição da LG e o novo culto à inteligência física

Fabricante sul-coreana vê suas ações quadruplicarem em 2026 ao apostar na convergência entre robótica e IA — e um encontro com Jensen Huang vira catalisador de expectativas estratosféricas

Há uma certa ironia elegante no fato de que a LG Electronics — empresa cujo nome carregava, até pouco tempo, a melancolia das marcas que perderam o passo na corrida dos semicondutores — tenha se tornado, em 2026, o objeto de desejo de uma geração de investidores ávidos por apostas na chamada inteligência física. As ações da companhia sul-coreana acumulam valorização superior a 300% no ano; número que, dito assim, soa quase como erro tipográfico, mas que os terminais financeiros confirmam com a frieza costumeira dos fatos consumados.

A narrativa que sustenta esse movimento bursátil não é nova — a convergência entre robótica e inteligência artificial vem sendo anunciada, com variados graus de seriedade, desde pelo menos a metade da década passada. O que mudou, e de forma suficientemente brusca para alterar a paisagem do mercado global, é o ritmo com que essa convergência passou a se materializar em produtos, contratos e expectativas de receita. A LG, que assistiu à corrida sul-coreana dos chips em 2025 de um camarote confortável e inerte, acordou para a segunda rodada com uma identidade reformulada: não mais a fabricante de televisores e eletrodomésticos que todos conheciam, mas um player em construção acelerada no universo da robótica aplicada.

O episódio mais recente dessa saga corporativa tem a textura das histórias que Wall Street e Seoul adoram simultaneamente: o presidente do grupo LG, Koo Kwang-mo, confirmou um encontro com Jensen Huang, o onipresente CEO da Nvidia, para o dia 5 de junho. A notícia foi suficiente para fazer a ação atingir o limite diário de valorização — 30% — por duas sessões consecutivas. Que a reunião entre dois executivos seja capaz de mover bilhões de dólares em capitalização de mercado antes mesmo de que qualquer parceria seja formalizada diz menos sobre a solidez dos fundamentos da LG e mais sobre a natureza especulativa do momento: o mercado não compra empresas, compra expectativas, e expectativas bem encenadas dispensam resultado imediato.

Não seria justo, porém, reduzir o movimento inteiro à espuma especulativa. Há substância sob a superfície agitada. A LG tem investido concretamente em robótica de serviço, automação industrial e no desenvolvimento de plataformas capazes de integrar hardware e software num ciclo mais próximo do que a indústria chama de IA embarcada — aquela que age sobre o mundo físico, e não apenas o processa em servidores remotos. É precisamente essa distinção que o mercado passou a valorizar em 2026, numa espécie de correção de rota em relação ao entusiasmo anterior, que privilegiava quase exclusivamente as empresas de infraestrutura de dados.

O caso da LG Electronics ilustra, com precisão quase didática, uma dinâmica que se repete em ciclos de transformação tecnológica: as empresas que chegam tarde à festa muitas vezes chegam mais bem equipadas, porque puderam observar os erros alheios antes de comprometer capital. A pergunta que os analistas ainda debatem é se essa vantagem do retardatário consciente será suficiente para sustentar uma valorização que já coloca a companhia em patamares históricos — ou se o encontro de junho entre Koo e Huang será lembrado, daqui a alguns anos, como o pico de uma euforia que a realidade dos balanços tratou, com sua habitual indiferença, de corrigir.

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Liderança no Modelo Híbrido: O Que Separa os Bons dos Ótimos Gestores https://tecendonegocios.com.br/lideranca-no-modelo-hibrido-o-que-separa-os-bons-dos-otimos-gestores/ https://tecendonegocios.com.br/lideranca-no-modelo-hibrido-o-que-separa-os-bons-dos-otimos-gestores/#respond Wed, 03 Jun 2026 21:53:59 +0000 https://tecendonegocios.com.br/lideranca-no-modelo-hibrido-o-que-separa-os-bons-dos-otimos-gestores/ Gerenciar equipes híbridas vai além de ferramentas. Veja as práticas que distinguem líderes de alta performance em 2026.

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O que os melhores líderes aprenderam sobre trabalho híbrido (e você ainda não sabe)

Em 2024, uma pesquisa da consultoria McKinsey revelou que 65% dos trabalhadores brasileiros preferem o modelo híbrido ao presencial integral. Em 2026, esse número só cresceu — e com ele, o desafio de líderes que ainda gerenciam equipes distribuídas como se todos estivessem no mesmo escritório.

A transição para o híbrido não é sobre tecnologia. É sobre presença intencional. E aqui está o paradoxo: líderes que passaram a estar menos fisicamente presentes com suas equipes se tornaram — quando fizeram a lição de casa — líderes muito mais presentes na vida profissional de cada colaborador.

As armadilhas do híbrido mal gerenciado

O modelo híbrido falha quando as empresas copiam o escritório para o digital sem questionar o que faz sentido manter. Reuniões que poderiam ser um e-mail viram videoconferências de uma hora. A cultura de “parecer ocupado” migra para notificações às 22h. O colaborador remoto fica invisível nas promoções — fenômeno que pesquisadores chamam de proximity bias, ou viés da proximidade.

Um dado preocupante: segundo a Gallup, profissionais que trabalham remotamente têm 30% mais chances de se sentir desengajados quando não há rituais estruturados de conexão com a equipe.

O que líderes de alta performance fazem diferente

Líderes que colhem os melhores resultados no híbrido compartilham três práticas:

1. Reuniões de check-in individuais curtas e regulares. Não para cobrar entregas, mas para perguntar como a pessoa está. Quinze minutos, uma vez por semana. Parece pouco. Faz uma diferença enorme.

2. Transparência radical sobre decisões. No híbrido, quem não sabe o “porquê” das decisões inventa um — e geralmente inventa o pior. Comunicar o raciocínio por trás de cada mudança relevante evita rumores e aumenta confiança.

3. Documentação como cultura. Equipes de alta performance no híbrido escrevem o que decidem. Não por burocracia, mas porque a memória organizacional não pode depender de quem estava na sala naquele dia.

Liderar no híbrido é, antes de tudo, liderar com intenção. Cada interação conta mais quando são menos frequentes. E isso, para o bem ou para o mal, expõe os líderes de uma forma que o escritório escondia.

Você já avaliou quais hábitos de liderança do presencial ainda fazem sentido na sua realidade híbrida — e quais precisam ser reinventados?

Tecendo Negócios — conectando empreendedores ao futuro.

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IA Generativa no Atendimento ao Cliente: Como PMEs Podem Usar em 2026 https://tecendonegocios.com.br/ia-generativa-no-atendimento-ao-cliente-como-pmes-podem-usar-em-2026/ https://tecendonegocios.com.br/ia-generativa-no-atendimento-ao-cliente-como-pmes-podem-usar-em-2026/#respond Wed, 03 Jun 2026 21:53:31 +0000 https://tecendonegocios.com.br/ia-generativa-no-atendimento-ao-cliente-como-pmes-podem-usar-em-2026/ Ferramentas de IA já estão ao alcance de pequenas empresas. Veja como usar sem precisar de equipe técnica.

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O atendimento mudou — e quem não acompanhou ficou para trás

Em 2026, a inteligência artificial generativa deixou de ser privilégio de grandes corporações. Hoje, uma padaria em Belo Horizonte ou uma loja de roupas em Fortaleza pode usar as mesmas ferramentas que o Mercado Livre usa para atender clientes — sem contratar um programador sequer.

A pergunta não é mais “minha empresa precisa de IA?”. A pergunta é: “quanto dinheiro estou deixando na mesa por não usar?”

O que a IA generativa pode fazer pelo seu atendimento

Diferente dos antigos chatbots que frustravam clientes com respostas robotizadas, as ferramentas atuais entendem contexto, respondem de forma natural e aprendem com as interações. Veja aplicações práticas:

  • Atendimento 24/7 no WhatsApp: ferramentas como ManyChat, Typebot e Z-API com IA respondem dúvidas, fazem cotações e até fecham vendas enquanto você dorme.
  • Triagem de e-mails: classificam e respondem automaticamente as mensagens mais simples, deixando apenas as complexas para você.
  • FAQ inteligente no site: em vez de uma lista estática de perguntas, o cliente digita qualquer dúvida e recebe uma resposta personalizada.
  • Resumo de feedbacks: a IA lê centenas de avaliações no Google ou Reclame Aqui e entrega um relatório com os principais pontos de melhoria.

Por onde começar sem se perder

O erro mais comum é querer automatizar tudo de uma vez. Comece pequeno: escolha um canal (geralmente o WhatsApp, onde está a maioria dos clientes brasileiros) e uma função (por exemplo, responder perguntas sobre horário, preço e disponibilidade).

Ferramentas como o ChatGPT com integração via Zapier, o Botpress ou o Respond.io permitem configurar um assistente funcional em menos de um dia — sem código. Os planos básicos começam a partir de R$ 150/mês, e o retorno costuma aparecer nas primeiras semanas.

“A IA não substitui o relacionamento humano. Ela libera seu time para ter conversas que realmente importam.”

O segredo está na configuração inicial: quanto mais você treinar a ferramenta com as dúvidas reais dos seus clientes, melhor ela vai performar. Dedique duas horas na primeira semana para isso e colha os resultados nos meses seguintes.

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A Indústria da Boa Palavra: Palestrantes, Mensagem e o Abismo Entre o Palco e a Vida https://tecendonegocios.com.br/palestrantes-motivacionais-brasil-mensagem-coerencia/ https://tecendonegocios.com.br/palestrantes-motivacionais-brasil-mensagem-coerencia/#respond Wed, 03 Jun 2026 10:35:28 +0000 https://tecendonegocios.com.br/?p=903 Há um fenômeno em curso no Brasil que merece ser observado com a lupa que os economistas reservam para bolhas e os psicólogos para delírios coletivos: o mercado de palestras corporativas cresce 40% em dois anos, movimenta R$ 100 milhões anuais, produz aproximadamente 300 mil eventos a cada doze meses — e nunca o país […]

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Palestrantes, Mensagem e o Abismo Entre o Palco e a Vida

Há um fenômeno em curso no Brasil que merece ser observado com a lupa que os economistas reservam para bolhas e os psicólogos para delírios coletivos: o mercado de palestras corporativas cresce 40% em dois anos, movimenta R$ 100 milhões anuais, produz aproximadamente 300 mil eventos a cada doze meses — e nunca o país teve tanto a aprender, com tão poucos resultados demonstráveis. O dado é da Folha de S.Paulo, citado por agenciadoras do setor em dezembro de 2025. A conclusão, esta, é minha.

Não se trata de cinismo gratüito nem de desprezo pela palavra pública. A palavra pública é, aliás, das coisas mais sérias que existem. O problema está precisamente aí: quando a palavra se industrializa, quando o verbo se transforma em cachê, quando a sabedoria vira produto com preço de tabela e slot de 60 minutos no auditório corporativo — algo essencial se perde no processo, da mesma forma que o suco de fruta perde vitaminas quando enlatado e adocicado para a prateleira do supermercado.

O Mercado e Seus Números

Flávio Augusto da Silva, fundador da Wise Up e talvez o palestrante mais caro do país, cobra R$ 590 mil por hora de apresentação e anuncia que ajustará o valor para R$ 1 milhão em 2026. O dado foi reportado em dezembro de 2025 pelo portal Hub Mídia Web e pela Agência DC News. Flávio Augusto justifica o preço como mecanismo regulador de demanda — o que, convenhamos, é uma resposta elegante para uma pergunta embaraçosa. Afinal, se o conteúdo salva empresas e transforma vidas, por que torná-lo acessível apenas a quem pode pagar o equivalente ao salário anual de um professor universitário?

A pergunta é retórica, mas não inócua.

O mercado, como registra a Sociedade Brasileira de Palestrantes, está em franca expansão. A indústria global de desenvolvimento pessoal — que abrange coaches, treinadores e palestrantes — faturou US$ 4,564 bilhões em dado levantado pelo portal Terra, com crescimento de 60% na receita. No Brasil, a Exame registrou em reportagem recente que há empresas que faturam R$ 80 milhões ao transformar pessoas comuns em palestrantes com agenda cheia. O negócio, portanto, não é apenas palestrar: é ensinar outros a palestrar. A indústria reproduz a si mesma com uma eficiência que Darwin aprovaria.

O resultado é previsível: há, segundo especialistas ouvidos pelo portal Palestras de Sucesso, muito mais palestrante não ganhando dinheiro e disponível no mercado do que profissionais que efetivamente entregam valor. É a lei da oferta mal calibrada: quando todos decidem que têm algo a ensinar, o que se dilui não é a demanda — é a credibilidade.

A Gramática do Palco

Seria injusto negar que há palestrantes de substância. Mário Sérgio Cortella, filósofo e professor, navega com propriedade entre Aristóteles e a sala de reuniões. Clóvis de Barros Filho mergulha em ética sem apelar para o senso comum. Leandro Karnal converte a história em espelho do presente com uma habilidade que poucos professores universitários conseguem emular. Bernardinho transformou sua experiência real de treinador campeão olímpico em lição de liderança com respaldo empírico. Esses nomes têm em comum algo que o mercado cada vez mais rareia: uma trajetória que antecede e sustenta o discurso.

O problema não está nos bons palestrantes. O problema está nos outros — e nos outros, lamentavelmente, há muitos.

A pesquisadora da Agência Universitária de Notícias da USP, em análise publicada em 2018 e ainda perturbadoramente atual, identificou que o discurso motivacional é, ao mesmo tempo, frágil e extremamente eficaz. A eficácia não deriva da solidez do conteúdo, mas da disposição do público para crer: as pessoas buscam respostas e as encontram em esquemas, estruturas de pensamento e, sobretudo, em narrativas. O pesquisador Jorge Gonçalves de Oliveira Júnior, do Departamento de Antropologia da USP, foi ainda mais preciso ao apontar o reducionismo como pecado capital do gênero: os discursos acabam sendo redutores, porque sugerem que existe apenas um caminho para a felicidade e para o sucesso — e esse caminho, não por acaso, passa pelo auditório onde o palestrante está sendo pago para falar.

A convergência entre discurso científico e subtexto religioso que Gonçalves identificou é particularmente reveladora. O palestrante moderno usa o vocabulário da neurociência (“circuitos neurais de alta performance”), da psicologia positiva (“mindset de crescimento”) e, em certos nichos, da espiritualidade (“propósito”) para construir uma autoridade que soa ao mesmo tempo racional e transcendente. É um produto bem-acabado. O problema é quando o fabricante não usa aquilo que vende.

A Questão da Coerência

Aqui chegamos ao nó górdio da questão.

O palestrante que advoga pela gestão impecável do tempo chega atrasado às reuniões de sua própria equipe. O que prega inteligência emocional perde o controle ao menor sinal de contrariédade no escritório. O que vende resiliência demite funcionários por e-mail. O que ensina família em primeiro lugar passa os fins de semana voando de cidade em cidade, ausente de casa, para ensinar outras pessoas a colocar família em primeiro lugar. A ironia seria cômica se não fosse, em muitos casos, tragicamente rotineira.

Não se trata de exigir perfeição. Seria ingênuo — e, de certo modo, cruel — cobrar dos mortais que encarnem integralmente aquilo que pregam. A vida é mais complicada do que qualquer palestra de 60 minutos consegue capturar. Mas há uma diferença fundamental entre a imperfeicão humana ineviível e a dissociação sistemática entre o que se diz no palco e o que se faz na vida cotidiana.

O depoimento sobre o palestrante Gilberto Wiesel é curiosamente revelador pela exceção que representa: “A diferença entre as palestras do Gilberto e a grande maioria das que são proferidas por outros palestrantes motivacionais do país é que ele consegue manter consistência e coerência entre tudo aquilo que prega e a realidade que vive.” O fato de a coerência ser tratada como diferencial competitivo — e não como pré-requisito óbvio — diz tudo sobre o estado da indústria.

A plataforma de autoridade digital Informe 365 registrou, com precisão desconcertante, que “a autoridade que perdura é aquela que inspira, não a que tenta impressionar.” São sentenças que qualquer palestrante diria do palco. Quantos as aplicam em sua própria presença digital? Observe o LinkedIn de qualquer palestrante mediano: é uma sucessão de frases de efeito atribuídas a si mesmo, fotografias em palcos iluminados e indicadores de “impacto” mensurados pelo número de pessoas que aplaudiram — não pelo número de vidas que efetivamente mudaram.

O Que Sustenta a Bolha

O mercado corporativo, curiosamente, começa a acordar. O portal Criativa Online registrou que o público empresarial está “cada vez mais crítico” e percebe “rapidamente quando o conteúdo é superficial.” O conhecimento sólido, segundo esta análise, é o que permite que a palestra “provoque reflexão com profundidade, não apenas emoção momentânea.”

A emoção momentânea, aliás, é o produto mais vendido do setor. O palestrante que arranca lágrimas no auditório corporativo tem mais chance de ser reconvocado do que o que deixa perguntas incômodas no ar. As organizações, em geral, não contratam palestras para serem perturbadas: contratam para se sentir bem, para motivar equipes desgastadas, para sinalizar aos funcionários que a empresa “se importa” com seu desenvolvimento. É um teatro bem intencionado, mas é teatro.

O pesquisador da USP identificou que as pessoas estão “propensas a acreditar” e “buscam respostas.” Em um país marcado por desigualdade educacional, instabilidade econômica e déficit crônico de autoconfiança coletiva, a promessa motivacional preenche um vazio real. Seria cômodo e injusto atribuir a culpa inteiramente aos palestrantes: a indústria responde a uma demanda legítima com uma oferta, em muitos casos, inadequada. Mas a inadequação tem endereço. E tem CEP.

Uma Proposta Descabidamente Simples

A tradição retórica ocidental, desde Aristóteles, distingue três pilares da persuasão: o logos (a razão), o pathos (a emoção) e o ethos (o caráter). O ethos é o fundamento: é a credibilidade do falante que dá peso às suas palavras. Sem ethos, o logos vira argumento oco e o pathos vira manipulação.

O mercado de palestras brasileiro investiu pesado no pathos. Treinou exaustivamente o logos — ou sua simulação. Mas negligenciou o ethos com uma consistência que, ela mesma, já seria tema de uma boa palestra.

A proposta é simples ao ponto de parecer ingênua: antes de ensinar alguém a viver, viva. Antes de pregar coerência, seja coerente. Antes de cobrar R$ 590 mil para inspirar executivos, certifique-se de que a sua própria vida inspira as pessoas que trabalham com você de segunda a sexta-feira, sem holofote.

Não é uma exigência de santidade. É uma exigência de honestidade — que é, no fim das contas, o único ativo que nenhuma agência de palestrantes consegue fabricar nem precificar.

Gilberto Rocha Jr.

A palavra emana poder de quem tem o direito moral de proferi-la. O auditório aplaude sempre. A vida, no entanto, não mente.

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Upsell e cross-sell: como vender mais para quem já é seu cliente https://tecendonegocios.com.br/upsell-cross-sell-como-vender-mais-clientes-existentes/ https://tecendonegocios.com.br/upsell-cross-sell-como-vender-mais-clientes-existentes/#respond Wed, 03 Jun 2026 00:56:31 +0000 https://tecendonegocios.com.br/?p=884 Vender mais sem gastar mais: a estratégia de upsell que PMEs ignoram Enquanto a maioria dos empreendedores brasileiros gasta energia e dinheiro tentando conquistar clientes novos, existe uma mina de ouro completamente ignorada dentro da própria base: os clientes que já compraram. A estratégia de upsell e cross-sell — vender mais para quem já é cliente — pode […]

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como vender mais para quem já é seu cliente

Vender mais sem gastar mais: a estratégia de upsell que PMEs ignoram

Enquanto a maioria dos empreendedores brasileiros gasta energia e dinheiro tentando conquistar clientes novos, existe uma mina de ouro completamente ignorada dentro da própria base: os clientes que já compraram. A estratégia de upsell e cross-sell — vender mais para quem já é cliente — pode aumentar o faturamento em 20% a 30% sem adicionar uma linha no orçamento de marketing.

“Conquistar um novo cliente custa entre 5 e 7 vezes mais do que manter um existente.”

Esse dado já tinha mais de 30 anos quando Kotler o escreveu. Em 2026, com o custo de tráfego pago nas alturas e a atenção do consumidor em queda livre, ele nunca foi tão atual.

Como aplicar upsell na prática — sem parecer chato

O erro mais comum é confundir upsell com insistência. Não é isso. Upsell bem feito é oferta relevante no momento certo. Veja exemplos concretos:

Barbearia: o cliente veio para o corte. Na saída, o barbeiro oferece o hidratante da marca que ele usou no cabelo durante o atendimento. Conversão alta porque o cliente já experimentou o produto.

Consultoria contábil: cliente que paga o pacote básico de declaração recebe, no mês de fechamento fiscal, uma proposta de planejamento tributário para o próximo ano — com projeção do quanto ele pode economizar. O número concreto vende.

E-commerce de moda: ao finalizar a compra de uma calça, o sistema sugere automaticamente o cinto e a carteira que combinam, com desconto para compra conjunta. Amazon construiu um império assim.

O que você precisa para começar hoje

Não precisa de sistema sofisticado. Precisa de três coisas: conhecer o histórico de compra dos seus clientes, ter pelo menos um produto complementar ao que eles já compraram, e treinar sua equipe (ou automação) para fazer a oferta no momento certo — que é logo depois da satisfação, nunca antes.

Se você tem um CRM — mesmo que seja uma planilha — já tem o suficiente para começar. Separe os clientes que compraram nos últimos 90 dias. Identifique o que eles ainda não têm. Faça uma oferta personalizada. Meça o resultado. Repita.

A maior oportunidade de crescimento do seu negócio provavelmente não está no próximo cliente novo — está no que o cliente atual ainda não comprou de você.

Tecendo Negócios — conectando empreendedores ao futuro.

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A Nvidia quer mandar no mundo físico https://tecendonegocios.com.br/nvidia-robos-humanoides-ai-pc-2026/ https://tecendonegocios.com.br/nvidia-robos-humanoides-ai-pc-2026/#respond Wed, 03 Jun 2026 00:23:58 +0000 https://tecendonegocios.com.br/?p=865 E está começando pelos robôs Quando a gente acha que a Nvidia já dominou bastante coisa — a IA, os data centers, os jogos — ela resolve entrar no mundo dos robôs humanoides. É isso mesmo: a empresa anunciou parcerias com fabricantes de robôs nos Estados Unidos, Europa e Coreia do Sul, além da já […]

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A Nvidia quer mandar no mundo físico — e está começando pelos robôs

E está começando pelos robôs

Quando a gente acha que a Nvidia já dominou bastante coisa — a IA, os data centers, os jogos — ela resolve entrar no mundo dos robôs humanoides. É isso mesmo: a empresa anunciou parcerias com fabricantes de robôs nos Estados Unidos, Europa e Coreia do Sul, além da já existente com a chinesa Unitree. A ideia é colocar os chips Blackwell da Nvidia no coração desses robôs, junto com tecnologia de segurança cibernética embutida.

O modelo inicial integra o corpo do robô H2 da Unitree com mãos avançadas da startup singapurense Sharpa — e tudo isso vai para as mãos de pesquisadores de universidades como Stanford e UC San Diego. Não é ficção científica: é pesquisa concreta em IA física, com hardware padronizado e atualizações de software verificadas pelos próprios chips da Nvidia, para evitar código malicioso.

Mas por que isso importa?

Porque a Nvidia está fazendo uma jogada enorme: deixa de ser só fornecedora de chips e passa a ser a plataforma central de computação e software para toda a indústria de robôs humanoides. É como se ela quisesse ser o “Android” do mundo dos robôs — o sistema que todo mundo usa por baixo.

E não para por aí. A empresa também apresentou o RTX Spark Superchip no Computex: um chip completo para computadores pessoais com IA, que mistura GPU Blackwell com CPU Grace. O objetivo? Trazer processamento de IA para fora da nuvem, direto para o seu laptop ou mini-PC. Isso coloca a Nvidia de frente com Apple, Intel, AMD e Qualcomm no segmento dos chamados “AI PCs”. Sinal dos tempos: a briga de IA saiu dos data centers e chegou na mesa de todo mundo.

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Transparência Salarial: agora é lei https://tecendonegocios.com.br/salarial-2026-o-que-muda-recrutamento/ https://tecendonegocios.com.br/salarial-2026-o-que-muda-recrutamento/#respond Wed, 03 Jun 2026 00:03:08 +0000 https://tecendonegocios.com.br/?p=846 Sabe aquela história de vaga que pede “salário a combinar”? Pois é. A União Europeia achou que já chegou e criou uma lei para acabar com esse jogo. A Diretiva Europeia 2023/970 entra em vigor em junho de 2026 e obriga empresas e agências de recrutamento a divulgarem o salário ou a faixa salarial logo […]

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A transparência salarial agora é lei. Confira!

Sabe aquela história de vaga que pede “salário a combinar”? Pois é. A União Europeia achou que já chegou e criou uma lei para acabar com esse jogo. A Diretiva Europeia 2023/970 entra em vigor em junho de 2026 e obriga empresas e agências de recrutamento a divulgarem o salário ou a faixa salarial logo no anúncio — ou pelo menos antes da primeira entrevista. Sem essa, não tem negócio.

O cenário atual em Portugal deixa tudo bem claro: em 2025, menos de 30% dos anúncios de emprego tinham qualquer referência a salário. No caso das agências, cai para uns modestos 22%. Mas atenção: 85% dos profissionais dizem que se sentem mais motivados a se candidatar quando o salário aparece na vaga. Ou seja, as empresas estavam desperdiçando talentos por pura opacidade.

O que muda na prática?

Primeiro, acabou a pergunta clássica “quanto você ganha hoje?”. A diretiva proíbe que candidatos sejam questionados sobre o salário atual como base de negociação — só é permitido perguntar sobre expectativas. Segundo, a faixa salarial tem que aparecer no anúncio ou, no máximo, antes da entrevista. E terceiro, empresa e agência de recrutamento podem ser responsabilizadas se descumprirem.

Para as áreas de RH, o recado é direto: é hora de estruturar bandas salariais, revisar políticas de compensação, garantir que a comunicação externa bata com a prática interna e integrar dados salariais nos relatórios. Não é opcional. Não é “quando der”. É agora.

E o motivo vai além da lei: 62% dos profissionais já recusam ofertas por causa do salário, e ainda pesam no bolo os benefícios (63%), o ambiente de trabalho (56%) e projetos desafiantes (47%). Transparência gera confiança, e confiança vira vantagem competitiva na guerra por talentos.

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Precificação: O Erro que Quebra Mais Negócios do que a Crise https://tecendonegocios.com.br/precificacao-o-erro-que-quebra-mais-negocios-do-que-a-crise/ https://tecendonegocios.com.br/precificacao-o-erro-que-quebra-mais-negocios-do-que-a-crise/#respond Tue, 02 Jun 2026 23:45:31 +0000 https://tecendonegocios.com.br/precificacao-o-erro-que-quebra-mais-negocios-do-que-a-crise/ Cobrar barato demais é o maior sabotador de pequenas empresas no Brasil. Veja como precificar corretamente e parar de trabalhar no prejuízo.

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Tem um problema silencioso que destrói mais negócios brasileiros do que qualquer crise econômica: precificar errado. Especialmente cobrar de menos. O empreendedor trabalha, trabalha, o movimento parece bom — e no fim do mês o dinheiro não fecha. Isso tem nome: subprecificação crônica.

Por que o brasileiro cobra menos do que deveria

Há três razões principais. A primeira é o medo de perder o cliente — a lógica do “se eu cobrar mais, vão embora”. A segunda é desconhecimento dos custos reais, especialmente os invisíveis: tempo de deslocamento, retrabalho, ferramentas, impostos. A terceira é comparar o próprio preço com o do concorrente sem entender o que cada um entrega de valor.

O resultado é sempre o mesmo: margem negativa disfarçada de faturamento.

A fórmula básica que ninguém aplica

Preço correto = Custos diretos + Custos indiretos rateados + Pró-labore justo + Margem de lucro desejada.

Parece óbvio. Mas a maioria dos pequenos empreendedores só considera os custos diretos — e esquece o próprio salário na conta. Trabalhar sem pró-labore definido é terceirizar seu esforço de graça.

“Desconto é o que você dá quando não sabe explicar o valor do que entrega.”

Como aumentar preço sem perder cliente

Primeiro: comunique o valor antes de comunicar o preço. Cliente que entende o que está comprando reclama menos do quanto paga. Segundo: reajuste gradualmente — 10% agora, 10% em seis meses — em vez de um choque repentino. Terceiro: aceite perder os clientes que só ficam pelo preço baixo. Eles não são lucrativos — são apenas movimento.

Um negócio saudável não é o que tem mais clientes. É o que tem os clientes certos pagando o preço certo.

Tecendo Negócios — conectando empreendedores ao futuro.

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Liderança Sem Hierarquia: O Modelo que Está Ganhando as PMEs https://tecendonegocios.com.br/lideranca-sem-hierarquia-o-modelo-que-esta-ganhando-as-pmes/ https://tecendonegocios.com.br/lideranca-sem-hierarquia-o-modelo-que-esta-ganhando-as-pmes/#respond Tue, 02 Jun 2026 23:45:11 +0000 https://tecendonegocios.com.br/lideranca-sem-hierarquia-o-modelo-que-esta-ganhando-as-pmes/ Empresas que adotam liderança horizontal estão retendo mais talentos e colhendo resultados surpreendentes. Entenda por quê e como fazer.

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Durante décadas, liderança foi sinônimo de hierarquia. Chefe manda, equipe obedece. Simples assim. Mas o mercado de trabalho brasileiro de 2026 está mostrando que essa equação não funciona mais — especialmente para atrair e reter os talentos da geração Z, que já forma a maior fatia da força de trabalho ativa.

O que é liderança horizontal na prática

Liderança horizontal não significa ausência de autoridade. Significa distribuir responsabilidade e voz. Em vez de um líder que concentra todas as decisões, times com estrutura horizontal têm pessoas que lideram em suas áreas de expertise — e que se sentem donos do processo, não apenas executores.

Empresas como a Nubank e a Resultados Digitais, referências no ecossistema brasileiro, construíram culturas organizacionais baseadas nesse princípio desde o início. E os números mostram que isso não é apenas filosofia: a taxa de turnover em empresas com cultura horizontal costuma ser de 30% a 50% menor do que em empresas com estruturas rígidas.

Três práticas para começar agora

1. Reuniões sem status, com propósito. Elimine reuniões que existem apenas para atualizar o chefe. Substitua por rituais curtos de alinhamento onde qualquer pessoa pode pautar temas relevantes.

2. Decisões no nível mais próximo do problema. A pessoa que lida diariamente com um processo é quem melhor sabe como resolvê-lo. Delegue a decisão junto com a responsabilidade.

3. Feedback contínuo, não só na avaliação anual. Culturas horizontais constroem feedback como hábito semanal — breve, direto e bidirecional. Líderes também recebem.

O papel do líder muda, mas não desaparece

O líder em um modelo horizontal deixa de ser o controlador e passa a ser o facilitador. Seu papel é remover obstáculos, conectar pessoas, garantir contexto e proteger a cultura da empresa. É um trabalho mais exigente em termos de inteligência emocional — e mais recompensador em termos de resultado coletivo.

Se a sua empresa ainda opera com o modelo “chefe decide tudo”, vale a pergunta: quantos talentos você já perdeu porque eles queriam ter voz e não encontraram espaço?

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