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Copa do Mundo e Festas Juninas impõem ao lojista paulistano uma lógica de gestão que nada tem de passional

Copa do Mundo e Festas Juninas impõem ao lojista paulistano uma lógica de gestão que nada tem de passional — estoque enxuto, reposição rápida e o calendário de santos como rede de segurança

Uma tensão produtiva

Há uma tensão produtiva, e não raro lucrativa, no fato de que a Copa do Mundo e as Festas Juninas coincidem no mesmo calendário comercial. Para o lojista da rua 25 de Março, no centro de São Paulo, essa sobreposição não é acidente folclórico: é problema de gestão. E os que souberem resolvê-lo bem — com frieza, não com entusiasmo — sairão do semestre em situação razoavelmente melhor do que aqueles que apostaram na paixão nacional como se ela fosse variável controlável.

A lógica que emerge das conversas com dirigentes da Univinco — a União dos Lojistas da Rua 25 de Março — é direta: a Copa oferece potencial de lucro extraordinário, mas apenas se a Seleção avançar; as Festas Juninas, por outro lado, são calendário fixo, irredutível, distribuído em três datas certas — Santo Antônio no dia 13, São João no 24, São Pedro no 29. Nenhum resultado de campo as cancela. Nenhuma eliminação precoce as compromete.

A estratégia que prevalece é, portanto, a do lastro seguro: montar estoque generoso de bandeirinhas, chapéus de palha, balões e toalhas xadrezes — produtos com saída previsível, independente da sorte do Brasil no Catar ou em qualquer outro campo neutro. Sobre esse piso estável, a Copa entra como camada de oportunidade: itens de torcida com volume menor, repostos rapidamente caso o escrete vença. O risco, assim, fica delimitado. A margem potencial, ampliada.

Jorge Dib, dirigente da Univinco e à frente do Depósito de Meias São Jorge, admite que a cautela prevaleceu no setor ao entrar no estoque de artigos verde-e-amarelo. O que comprou, vendeu. E mais: nos últimos dez dias, o nicho da Seleção, para sua própria surpresa, explodiu. A conclusão prática é de quem conhece o ofício: focar em itens que puxem a venda de outros, trabalhar giro alto com margem menor, não apostar no volume como se a torcida fosse passível de planejamento.

O varejo como jogo de probabilidades

Há uma dimensão estrutural nessa equação que vai além da sazonalidade. A clientela da 25 de Março — formada essencialmente por microempreendedores e revendedores da periferia — opera com capital de giro exíguo e nenhuma tolerância a encalhe. Para esse público, o erro de estoque não é linha contábil; é caixa que não fecha. Por isso a prudência com a Copa não é falta de patriotismo: é sobrevivência.

Cláudia Urias, diretora executiva da Univinco, sublinha o alcance territorial das Festas Juninas como diferencial que lhes confere consistência superior à Copa: enquanto o futebol concentra o consumo nos dias de jogo, os arraiais se espalham por escolas, igrejas, clubes e empresas em todo o território nacional, com ciclo de vendas que se prolonga até meados de julho. A Copa mobiliza mais paixão; as festas, mais receita previsível.

O saldo final do período ainda é incerto — ambos os lados concordam nisso. Mas a combinação dos dois eventos, bem gerida, aponta para crescimento de fluxo e de receita acima do padrão histórico do segundo trimestre. O que os dados ainda não dizem, mas a experiência do setor já sugere, é que o lojista brasileiro aprendeu a torcer com uma calculadora na mão. E isso, a rigor, é progresso.

Baseado em reportagem de Melina Dias publicada no Diário do Comércio em 22 de junho de 2026.

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O país mais caro do seu próprio atraso https://tecendonegocios.com.br/o-pais-mais-caro-do-seu-proprio-atraso/ https://tecendonegocios.com.br/o-pais-mais-caro-do-seu-proprio-atraso/#respond Tue, 23 Jun 2026 10:37:26 +0000 https://tecendonegocios.com.br/?p=1007 Brasil cai para a 65ª posição entre 70 países no ranking de competitividade do IMD/FDC — e confirma, com dados, o que o mercado já sabia há décadas. O Brasil voltou a fazer aquilo que faz com crescente competência: cair no ranking de competitividade mundial. Saiu da 58ª posição em 2025 para a 65ª em […]

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O Brasil voltou a fazer aquilo que faz com crescente competência: cair no ranking de competitividade mundial.

Brasil cai para a 65ª posição entre 70 países no ranking de competitividade do IMD/FDC — e confirma, com dados, o que o mercado já sabia há décadas.

O Brasil voltou a fazer aquilo que faz com crescente competência: cair no ranking de competitividade mundial. Saiu da 58ª posição em 2025 para a 65ª em 2026, entre 70 países avaliados pelo IMD World Competitiveness Center em parceria com a Fundação Dom Cabral. Restam abaixo do Brasil apenas Botsuana, Mongólia, Nigéria, Namíbia e Venezuela. Que companhia.

Não é surpresa. É confirmação. O país cresce 2,1% ao ano desde 1980, enquanto o mundo avança 3,6%. Entre 1950 e 1980, o Brasil crescia 7,3% — acima da média global de 4,5%. O que mudou desde então resume-se em poucas palavras: o Estado cresceu mais do que a economia. O gasto público saltou de 25% do PIB nos anos setenta para mais de 40% hoje, sem que se visse, em contrapartida, qualquer melhora proporcional nos serviços que o Estado teoricamente existe para prestar.

A taxa Selic em 14,25% com juro real entre 9% e 10% é o preço que toda empresa brasileira paga pelo desequilíbrio fiscal. Não é abstração macroeconômica: é a diferença entre um projeto que vai à frente e um projeto que fica na gaveta. O EBITDA some antes de o negócio começar. Nos últimos 12 meses, 1,5 milhão de empresas pediram recuperação judicial — número que, em qualquer país normal, provocaria uma crise política. Aqui, virou estatística de rodapé.

O Brasil aparece nas últimas posições em custo de capital, produtividade da força de trabalho, endividamento corporativo e educação básica. Num ranking de 76 países no PISA, o país ocupa a 65ª posição em Matemática, a 62ª em Ciências e a 52ª em Leitura. São dados que deveriam envergonhar qualquer governo — e qualquer oposição que se apresente como alternativa séria.

A assimetria da abertura comercial explica muito. A agropecuária, setor que se abriu ao exterior, registrou crescimento de produtividade de 6% ao ano nos últimos 30 anos. A indústria, protegida e subsidiada, viu a produtividade cair 0,2% ao ano no mesmo período. A lição é inequívoca: protecionismo não protege o trabalhador — protege o ineficiente à custa do restante.

A taxa de investimento da economia brasileira no primeiro trimestre deste ano foi de 16,5% do PIB. É baixa para qualquer padrão internacional e ínfima para um país que precisa recuperar décadas de atraso. Com o crédito caro e o ambiente imprevisível, o investidor — nacional ou estrangeiro — opta por cautela. Cautela que custa empregos, renda e futuro.

O populismo tem calendário próprio

E, no meio desse cenário, o que o Senado discute? O fim da escala 6×1 e a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais. O timing é revelador. É ano pré-eleitoral. Reduzir jornada sem aumentar produtividade é distribuir algo que ainda não existe. O custo recai sobre pequenos negócios no comércio e nos serviços, estimula a informalidade e acrescenta mais um degrau à ladeira que o país já desce com desenvoltura.

O economista Antonio Lanzana, da USP, resume o problema com precisão cirúrgica: as condições de trabalho deveriam ser negociadas entre empresários e trabalhadores, levando em conta as particularidades de cada setor. “Infelizmente, o populismo fala mais alto, principalmente considerando que é um ano de eleições.” Dito assim, sem rodeios, como convém a quem analisa décadas de escolhas erradas.

A saída está na conta de sempre

A saída conhecida há décadas: controle de gastos, abertura comercial, reforma administrativa, ambiente previsível para negócios e investimento eficiente em educação. A reforma tributária ajuda, mas no médio prazo. Educação, no longo. O problema é que o curto prazo eleitoral consome os dois.

O PISA é eloquente. Com um dos maiores investimentos em educação como proporção do PIB entre os países em desenvolvimento, o Brasil figura na 65ª posição em Matemática entre 76 países avaliados. O dinheiro vai, o resultado não vem. A ineficiência do gasto público é transversal — não respeita ministério, não distingue área.

O Brasil tem mercado interno relevante, tem posição geopolítica e atrai investidores apesar de si mesmo. Mas “apesar de si mesmo” é fraca fundação para um país que quer crescer. Gana e Peru, economias menores e menos conhecidas, têm ambiente de negócios melhor avaliado. Isso não é acidente estatístico — é resultado de escolhas.

65º entre 70 não é azar. É política.

Fonte: Diário do Comércio

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O Estado descobre que gentileza também compensa https://tecendonegocios.com.br/cadastro-fiscal-positivo/ https://tecendonegocios.com.br/cadastro-fiscal-positivo/#respond Fri, 12 Jun 2026 14:43:42 +0000 https://tecendonegocios.com.br/?p=975 São Paulo acaba de inventar uma novidade que, em qualquer país organizado, seria pura obviedade: tratar bem quem paga as contas. Chama-se Cadastro Fiscal Positivo, criado por resolução da Procuradoria-Geral do Estado, e começa a valer dentro de 30 dias. A ideia é simples — talvez por isso tenha demorado tanto para nascer. A receita […]

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O Cadastro Fiscal Positivo, criado por resolução da Procuradoria-Geral do Estado

São Paulo acaba de inventar uma novidade que, em qualquer país organizado, seria pura obviedade: tratar bem quem paga as contas. Chama-se Cadastro Fiscal Positivo, criado por resolução da Procuradoria-Geral do Estado, e começa a valer dentro de 30 dias. A ideia é simples — talvez por isso tenha demorado tanto para nascer.

A receita é a seguinte. A empresa que negociou sua dívida com o Fisco, que mantém as parcelas em dia, que oferece garantias sólidas e não fica brigando na Justiça por qualquer cobrança, passa a ter prioridade na análise de transações tributárias, certidões de regularidade com prazo mais longo e atendimento diferenciado. Em outras palavras: quem cumpre a palavra deixa de ser tratado como suspeito.

Pode parecer pouco. Não é. Durante décadas, o contribuinte brasileiro aprendeu que pontualidade fiscal é virtude sem recompensa — o bom pagador faz fila igual ao sonegador contumaz, às vezes pior, porque o sonegador profissional sabe como navegar no contencioso e o pagador disciplinado não tem tempo nem advogado de plantão para isso. O novo cadastro reconhece, ainda que tardiamente, que essa equivalência é um erro de cálculo do próprio Estado: ela empurra para a inadimplência quem hesita entre pagar ou não pagar.

A lista parte com 41 empresas — petroquímicas, construtoras, varejo, telecomunicações, cimenteiras — somando R$ 549 milhões em dívida ativa, boa parte em disputas de ICMS, o imposto que mais alimenta tribunais neste país. Os critérios de entrada são objetivos: pelo menos 80% do débito já em programa de renegociação e 80% do valor coberto por garantia — seguro, fiança ou imóvel. Sem favor, sem cochicho, sem padrinho. Um raro caso em que a régua é a mesma para todos.

A procuradora-geral Inês Coimbra resumiu bem o espírito da medida: o objetivo é “diferenciar esse bom pagador daqueles contribuintes que têm na inadimplência uma forma de atuação, quase um diferencial competitivo”. É preciso repetir essa frase, porque ela descreve uma distorção que o mercado conhece bem. Existe empresa que faz da dívida tributária uma estratégia de caixa, sabendo que o custo de não pagar é menor que o custo do crédito bancário. Essas companhias competem com vantagem desleal contra quem recolhe imposto em dia — e é essa vantagem que o novo cadastro tenta, finalmente, neutralizar.

Claro que o programa nasce pequeno e cauteloso: limite de 50 participantes nos três primeiros meses, reavaliação trimestral, possibilidade de entrar e sair da lista conforme o comportamento do contribuinte. A PGE-SP prefere testar antes de generalizar — postura sensata, ainda que modesta diante do tamanho do problema. O Acordo Paulista, programa que deu origem a esse cadastro, já acumula R$ 63,4 bilhões em débitos renegociados. Se a lógica funcionar, o desafio será multiplicar essa experiência sem perder o rigor que a torna confiável.

Vale notar o que a medida não é: não é perdão, não é desconto disfarçado, não é mais uma daquelas “renegociações especiais” que, na prática, ensinam o contribuinte a esperar a próxima anistia em vez de pagar a conta no vencimento. O Cadastro Fiscal Positivo trabalha na direção contrária — premia quem já decidiu acertar as contas e quer previsibilidade para continuar nessa linha.

Resta a pergunta inevitável: por que só agora? A resposta, suspeito, está menos na vontade política do que na pressão dos números. Com o contencioso tributário brasileiro consumindo bilhões em tempo de procuradores, juízes e departamentos jurídicos — recursos que poderiam estar em qualquer lugar produzindo riqueza —, criar um caminho que reduza litígio passou a ser, mais do que boa vontade, boa administração. Tarde, mas bem-vinda.

Se o exemplo pegar, talvez um dia o contribuinte paulista descubra algo que parecia impossível: que pagar imposto em dia pode, sim, valer a pena. Não é pouco para um país onde, historicamente, dever ao Fisco compensava mais do que honrar compromissos com ele.

Fonte: Diário do Comércio/SP

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A Indústria da Boa Palavra: Palestrantes, Mensagem e o Abismo Entre o Palco e a Vida https://tecendonegocios.com.br/palestrantes-motivacionais-brasil-mensagem-coerencia/ https://tecendonegocios.com.br/palestrantes-motivacionais-brasil-mensagem-coerencia/#comments Wed, 03 Jun 2026 10:35:28 +0000 https://tecendonegocios.com.br/?p=903 Há um fenômeno em curso no Brasil que merece ser observado com a lupa que os economistas reservam para bolhas e os psicólogos para delírios coletivos: o mercado de palestras corporativas cresce 40% em dois anos, movimenta R$ 100 milhões anuais, produz aproximadamente 300 mil eventos a cada doze meses — e nunca o país […]

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Palestrantes, Mensagem e o Abismo Entre o Palco e a Vida

Há um fenômeno em curso no Brasil que merece ser observado com a lupa que os economistas reservam para bolhas e os psicólogos para delírios coletivos: o mercado de palestras corporativas cresce 40% em dois anos, movimenta R$ 100 milhões anuais, produz aproximadamente 300 mil eventos a cada doze meses — e nunca o país teve tanto a aprender, com tão poucos resultados demonstráveis. O dado é da Folha de S.Paulo, citado por agenciadoras do setor em dezembro de 2025. A conclusão, esta, é minha.

Não se trata de cinismo gratüito nem de desprezo pela palavra pública. A palavra pública é, aliás, das coisas mais sérias que existem. O problema está precisamente aí: quando a palavra se industrializa, quando o verbo se transforma em cachê, quando a sabedoria vira produto com preço de tabela e slot de 60 minutos no auditório corporativo — algo essencial se perde no processo, da mesma forma que o suco de fruta perde vitaminas quando enlatado e adocicado para a prateleira do supermercado.

O Mercado e Seus Números

Flávio Augusto da Silva, fundador da Wise Up e talvez o palestrante mais caro do país, cobra R$ 590 mil por hora de apresentação e anuncia que ajustará o valor para R$ 1 milhão em 2026. O dado foi reportado em dezembro de 2025 pelo portal Hub Mídia Web e pela Agência DC News. Flávio Augusto justifica o preço como mecanismo regulador de demanda — o que, convenhamos, é uma resposta elegante para uma pergunta embaraçosa. Afinal, se o conteúdo salva empresas e transforma vidas, por que torná-lo acessível apenas a quem pode pagar o equivalente ao salário anual de um professor universitário?

A pergunta é retórica, mas não inócua.

O mercado, como registra a Sociedade Brasileira de Palestrantes, está em franca expansão. A indústria global de desenvolvimento pessoal — que abrange coaches, treinadores e palestrantes — faturou US$ 4,564 bilhões em dado levantado pelo portal Terra, com crescimento de 60% na receita. No Brasil, a Exame registrou em reportagem recente que há empresas que faturam R$ 80 milhões ao transformar pessoas comuns em palestrantes com agenda cheia. O negócio, portanto, não é apenas palestrar: é ensinar outros a palestrar. A indústria reproduz a si mesma com uma eficiência que Darwin aprovaria.

O resultado é previsível: há, segundo especialistas ouvidos pelo portal Palestras de Sucesso, muito mais palestrante não ganhando dinheiro e disponível no mercado do que profissionais que efetivamente entregam valor. É a lei da oferta mal calibrada: quando todos decidem que têm algo a ensinar, o que se dilui não é a demanda — é a credibilidade.

A Gramática do Palco

Seria injusto negar que há palestrantes de substância. Mário Sérgio Cortella, filósofo e professor, navega com propriedade entre Aristóteles e a sala de reuniões. Clóvis de Barros Filho mergulha em ética sem apelar para o senso comum. Leandro Karnal converte a história em espelho do presente com uma habilidade que poucos professores universitários conseguem emular. Bernardinho transformou sua experiência real de treinador campeão olímpico em lição de liderança com respaldo empírico. Esses nomes têm em comum algo que o mercado cada vez mais rareia: uma trajetória que antecede e sustenta o discurso.

O problema não está nos bons palestrantes. O problema está nos outros — e nos outros, lamentavelmente, há muitos.

A pesquisadora da Agência Universitária de Notícias da USP, em análise publicada em 2018 e ainda perturbadoramente atual, identificou que o discurso motivacional é, ao mesmo tempo, frágil e extremamente eficaz. A eficácia não deriva da solidez do conteúdo, mas da disposição do público para crer: as pessoas buscam respostas e as encontram em esquemas, estruturas de pensamento e, sobretudo, em narrativas. O pesquisador Jorge Gonçalves de Oliveira Júnior, do Departamento de Antropologia da USP, foi ainda mais preciso ao apontar o reducionismo como pecado capital do gênero: os discursos acabam sendo redutores, porque sugerem que existe apenas um caminho para a felicidade e para o sucesso — e esse caminho, não por acaso, passa pelo auditório onde o palestrante está sendo pago para falar.

A convergência entre discurso científico e subtexto religioso que Gonçalves identificou é particularmente reveladora. O palestrante moderno usa o vocabulário da neurociência (“circuitos neurais de alta performance”), da psicologia positiva (“mindset de crescimento”) e, em certos nichos, da espiritualidade (“propósito”) para construir uma autoridade que soa ao mesmo tempo racional e transcendente. É um produto bem-acabado. O problema é quando o fabricante não usa aquilo que vende.

A Questão da Coerência

Aqui chegamos ao nó górdio da questão.

O palestrante que advoga pela gestão impecável do tempo chega atrasado às reuniões de sua própria equipe. O que prega inteligência emocional perde o controle ao menor sinal de contrariédade no escritório. O que vende resiliência demite funcionários por e-mail. O que ensina família em primeiro lugar passa os fins de semana voando de cidade em cidade, ausente de casa, para ensinar outras pessoas a colocar família em primeiro lugar. A ironia seria cômica se não fosse, em muitos casos, tragicamente rotineira.

Não se trata de exigir perfeição. Seria ingênuo — e, de certo modo, cruel — cobrar dos mortais que encarnem integralmente aquilo que pregam. A vida é mais complicada do que qualquer palestra de 60 minutos consegue capturar. Mas há uma diferença fundamental entre a imperfeicão humana ineviível e a dissociação sistemática entre o que se diz no palco e o que se faz na vida cotidiana.

O depoimento sobre o palestrante Gilberto Wiesel é curiosamente revelador pela exceção que representa: “A diferença entre as palestras do Gilberto e a grande maioria das que são proferidas por outros palestrantes motivacionais do país é que ele consegue manter consistência e coerência entre tudo aquilo que prega e a realidade que vive.” O fato de a coerência ser tratada como diferencial competitivo — e não como pré-requisito óbvio — diz tudo sobre o estado da indústria.

A plataforma de autoridade digital Informe 365 registrou, com precisão desconcertante, que “a autoridade que perdura é aquela que inspira, não a que tenta impressionar.” São sentenças que qualquer palestrante diria do palco. Quantos as aplicam em sua própria presença digital? Observe o LinkedIn de qualquer palestrante mediano: é uma sucessão de frases de efeito atribuídas a si mesmo, fotografias em palcos iluminados e indicadores de “impacto” mensurados pelo número de pessoas que aplaudiram — não pelo número de vidas que efetivamente mudaram.

O Que Sustenta a Bolha

O mercado corporativo, curiosamente, começa a acordar. O portal Criativa Online registrou que o público empresarial está “cada vez mais crítico” e percebe “rapidamente quando o conteúdo é superficial.” O conhecimento sólido, segundo esta análise, é o que permite que a palestra “provoque reflexão com profundidade, não apenas emoção momentânea.”

A emoção momentânea, aliás, é o produto mais vendido do setor. O palestrante que arranca lágrimas no auditório corporativo tem mais chance de ser reconvocado do que o que deixa perguntas incômodas no ar. As organizações, em geral, não contratam palestras para serem perturbadas: contratam para se sentir bem, para motivar equipes desgastadas, para sinalizar aos funcionários que a empresa “se importa” com seu desenvolvimento. É um teatro bem intencionado, mas é teatro.

O pesquisador da USP identificou que as pessoas estão “propensas a acreditar” e “buscam respostas.” Em um país marcado por desigualdade educacional, instabilidade econômica e déficit crônico de autoconfiança coletiva, a promessa motivacional preenche um vazio real. Seria cômodo e injusto atribuir a culpa inteiramente aos palestrantes: a indústria responde a uma demanda legítima com uma oferta, em muitos casos, inadequada. Mas a inadequação tem endereço. E tem CEP.

Uma Proposta Descabidamente Simples

A tradição retórica ocidental, desde Aristóteles, distingue três pilares da persuasão: o logos (a razão), o pathos (a emoção) e o ethos (o caráter). O ethos é o fundamento: é a credibilidade do falante que dá peso às suas palavras. Sem ethos, o logos vira argumento oco e o pathos vira manipulação.

O mercado de palestras brasileiro investiu pesado no pathos. Treinou exaustivamente o logos — ou sua simulação. Mas negligenciou o ethos com uma consistência que, ela mesma, já seria tema de uma boa palestra.

A proposta é simples ao ponto de parecer ingênua: antes de ensinar alguém a viver, viva. Antes de pregar coerência, seja coerente. Antes de cobrar R$ 590 mil para inspirar executivos, certifique-se de que a sua própria vida inspira as pessoas que trabalham com você de segunda a sexta-feira, sem holofote.

Não é uma exigência de santidade. É uma exigência de honestidade — que é, no fim das contas, o único ativo que nenhuma agência de palestrantes consegue fabricar nem precificar.

Gilberto Rocha Jr.

A palavra emana poder de quem tem o direito moral de proferi-la. O auditório aplaude sempre. A vida, no entanto, não mente.

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Upsell e cross-sell: como vender mais para quem já é seu cliente https://tecendonegocios.com.br/upsell-cross-sell-como-vender-mais-clientes-existentes/ https://tecendonegocios.com.br/upsell-cross-sell-como-vender-mais-clientes-existentes/#respond Wed, 03 Jun 2026 00:56:31 +0000 https://tecendonegocios.com.br/?p=884 Vender mais sem gastar mais: a estratégia de upsell que PMEs ignoram Enquanto a maioria dos empreendedores brasileiros gasta energia e dinheiro tentando conquistar clientes novos, existe uma mina de ouro completamente ignorada dentro da própria base: os clientes que já compraram. A estratégia de upsell e cross-sell — vender mais para quem já é cliente — pode […]

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como vender mais para quem já é seu cliente

Vender mais sem gastar mais: a estratégia de upsell que PMEs ignoram

Enquanto a maioria dos empreendedores brasileiros gasta energia e dinheiro tentando conquistar clientes novos, existe uma mina de ouro completamente ignorada dentro da própria base: os clientes que já compraram. A estratégia de upsell e cross-sell — vender mais para quem já é cliente — pode aumentar o faturamento em 20% a 30% sem adicionar uma linha no orçamento de marketing.

“Conquistar um novo cliente custa entre 5 e 7 vezes mais do que manter um existente.”

Esse dado já tinha mais de 30 anos quando Kotler o escreveu. Em 2026, com o custo de tráfego pago nas alturas e a atenção do consumidor em queda livre, ele nunca foi tão atual.

Como aplicar upsell na prática — sem parecer chato

O erro mais comum é confundir upsell com insistência. Não é isso. Upsell bem feito é oferta relevante no momento certo. Veja exemplos concretos:

Barbearia: o cliente veio para o corte. Na saída, o barbeiro oferece o hidratante da marca que ele usou no cabelo durante o atendimento. Conversão alta porque o cliente já experimentou o produto.

Consultoria contábil: cliente que paga o pacote básico de declaração recebe, no mês de fechamento fiscal, uma proposta de planejamento tributário para o próximo ano — com projeção do quanto ele pode economizar. O número concreto vende.

E-commerce de moda: ao finalizar a compra de uma calça, o sistema sugere automaticamente o cinto e a carteira que combinam, com desconto para compra conjunta. Amazon construiu um império assim.

O que você precisa para começar hoje

Não precisa de sistema sofisticado. Precisa de três coisas: conhecer o histórico de compra dos seus clientes, ter pelo menos um produto complementar ao que eles já compraram, e treinar sua equipe (ou automação) para fazer a oferta no momento certo — que é logo depois da satisfação, nunca antes.

Se você tem um CRM — mesmo que seja uma planilha — já tem o suficiente para começar. Separe os clientes que compraram nos últimos 90 dias. Identifique o que eles ainda não têm. Faça uma oferta personalizada. Meça o resultado. Repita.

A maior oportunidade de crescimento do seu negócio provavelmente não está no próximo cliente novo — está no que o cliente atual ainda não comprou de você.

Tecendo Negócios — conectando empreendedores ao futuro.

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Precificação: O Erro que Quebra Mais Negócios do que a Crise https://tecendonegocios.com.br/precificacao-o-erro-que-quebra-mais-negocios-do-que-a-crise/ https://tecendonegocios.com.br/precificacao-o-erro-que-quebra-mais-negocios-do-que-a-crise/#respond Tue, 02 Jun 2026 23:45:31 +0000 https://tecendonegocios.com.br/precificacao-o-erro-que-quebra-mais-negocios-do-que-a-crise/ Cobrar barato demais é o maior sabotador de pequenas empresas no Brasil. Veja como precificar corretamente e parar de trabalhar no prejuízo.

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Tem um problema silencioso que destrói mais negócios brasileiros do que qualquer crise econômica: precificar errado. Especialmente cobrar de menos. O empreendedor trabalha, trabalha, o movimento parece bom — e no fim do mês o dinheiro não fecha. Isso tem nome: subprecificação crônica.

Por que o brasileiro cobra menos do que deveria

Há três razões principais. A primeira é o medo de perder o cliente — a lógica do “se eu cobrar mais, vão embora”. A segunda é desconhecimento dos custos reais, especialmente os invisíveis: tempo de deslocamento, retrabalho, ferramentas, impostos. A terceira é comparar o próprio preço com o do concorrente sem entender o que cada um entrega de valor.

O resultado é sempre o mesmo: margem negativa disfarçada de faturamento.

A fórmula básica que ninguém aplica

Preço correto = Custos diretos + Custos indiretos rateados + Pró-labore justo + Margem de lucro desejada.

Parece óbvio. Mas a maioria dos pequenos empreendedores só considera os custos diretos — e esquece o próprio salário na conta. Trabalhar sem pró-labore definido é terceirizar seu esforço de graça.

“Desconto é o que você dá quando não sabe explicar o valor do que entrega.”

Como aumentar preço sem perder cliente

Primeiro: comunique o valor antes de comunicar o preço. Cliente que entende o que está comprando reclama menos do quanto paga. Segundo: reajuste gradualmente — 10% agora, 10% em seis meses — em vez de um choque repentino. Terceiro: aceite perder os clientes que só ficam pelo preço baixo. Eles não são lucrativos — são apenas movimento.

Um negócio saudável não é o que tem mais clientes. É o que tem os clientes certos pagando o preço certo.

Tecendo Negócios — conectando empreendedores ao futuro.

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O Varejo que está ditando as regras lá fora https://tecendonegocios.com.br/o-varejo-que-esta-ditando-as-regras-la-fora/ https://tecendonegocios.com.br/o-varejo-que-esta-ditando-as-regras-la-fora/#respond Tue, 02 Jun 2026 15:38:38 +0000 https://tecendonegocios.com.br/?p=821 A revista Time, uma das publicações mais respeitadas do planeta, fez exatamente isso: mapeou os 10 nomes do varejo que estão moldando tendências em 2026. É a estreia de um recorte setorial dentro da sua famosa lista das 100 Empresas Mais Influentes. E o resultado é, no mínimo, surpreendente. Tem de tudo: luxo barato, robô […]

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O varejo que faz a diferença

A revista Time, uma das publicações mais respeitadas do planeta, fez exatamente isso: mapeou os 10 nomes do varejo que estão moldando tendências em 2026. É a estreia de um recorte setorial dentro da sua famosa lista das 100 Empresas Mais Influentes. E o resultado é, no mínimo, surpreendente.

Tem de tudo: luxo barato, robô entregador, roupa alugada, eletrônico usado e etiqueta eletrônica de prateleira. O analista Neil Saunders, da consultoria GlobalData Retail, resume bem o que une nomes tão diferentes: “O segredo é manter-se próximo do cliente e continuar evoluindo.” Parece simples. Não é.

A livraria que se recusou a morrer

A Barnes & Noble é um daqueles casos que a imprensa adorava enterrar. Livraria física, concorrendo com a Amazon, numa época em que todo mundo migrava pro digital. Não tinha como dar certo, certo? Errado.

Em 2019, o grupo Elliot — dono da rede britânica Waterstones — comprou a rede e fez o óbvio que ninguém tinha feito antes: voltou a focar no que a livraria sabe fazer de verdade. Livros. Sem enrolação. Sem tentar ser uma loja de eletrônicos disfarçada de livraria.

A virada foi deixar os funcionários de cada loja escolherem o acervo com base no público local. Parece detalhe, mas é o tipo de coisa que faz um cliente entrar e sair com três livros que ele nem planejava comprar. Enquanto isso, a marca soube aproveitar o boom do BookTok — a comunidade de leitores no TikTok — sem abrir mão do charme físico das lojas.

O resultado? 60 lojas novas só em 2025, mais 60 previstas para este ano, e a aquisição da Books Inc. no segundo semestre do ano passado. Não parece muito um negócio moribundo.

O Bichinho de Pelúcia que virou Máquina de Dinheiro

Fundada em 1999 no Reino Unido, a Jellycat nunca teve pretão de mudar o mundo. Ela faz bichinhos de pelúcia. Fofos. Bem fofos. Mas em algum momento entre 2013 e 2024, algo aconteceu: o faturamento saltou de US$ 7 milhões para US$ 445 milhões.

A lógica parece simples: peças colecionáveis geraram uma febre global. Mas o que realmente catapultou a marca foi a experiência nas lojas. A Jellycat não coloca as peças numa prateleira e espera. Ela cria mundos. O Jellycat Diner dentro da lendária FAO Schwarz em Nova York. A Jellycat Patisserie no quinto andar das Galerias Lafayette em Paris. O Jellycat Ski Club em Los Angeles.

São ativações que transformam a compra num evento. Adultos vão lá tão animados quanto as crianças. E saem com sacolinhas. E postam nas redes. E o ciclo recomeça. Simples assim.

Luxo? Sim. Caro? Já não.

Líder da lista da Time, a Quince foi fundada em 2018 na Califórnia e vale hoje US$ 10,1 bilhões. A proposta é direta: tecidos de alta qualidade — cashmere, seda, linho premium — a preços que não te fazem chorar na hora de conferir o cartão. Para isso, a empresa negocia diretamente com as fábricas, cortando intermediários.

Mas o que diferencia a Quince de uma simples marca de roupa barata é o uso da inteligência artificial para prever o que as pessoas vão querer comprar. A própria diretora de estratégia de marca, Dakota Kate Isaacs, explicou à Time: “Não se trata mais de analisar o que a concorrência faz. Trata-se de entender o que o consumidor realmente quer e onde existe a oportunidade de entregar isso mais rápido, com melhor qualidade e a um preço mais acessível.”

Sustentabilidade que funciona — e dá lucro

Dois outros nomes da lista apostam no reaproveitamento, e estão indo muito bem obrigado. A Back Market, francesa, facilitou a vida de quem quer vender ou comprar eletrônico usado com segurança. Começou com smartphones, foi expandindo para tablets, computadores e até eletrodomésticos. Dá um ano de garantia nos produtos. Resultado: consumidores confiando e comprando.

Já a Nuuly apostou no aluguel de roupas por assinatura. Por US$ 98 por mês, o assinante fica com seis peças durante 30 dias. A empresa gerencia armazéns próprios, lavanderia e estrutura de reparo. Resultado: quase 400 mil assinantes ativos. Moda circular funcionando na prática.

Tecnologia que já está nas prateleiras

A lista ainda traz duas empresas de tecnologia aplicada ao varejo. A Vusion, francesa, é especialista em etiquetas eletrônicas de prateleira — aquelas que substituem os papelzinhos de preço e permitem atualizar informações em tempo real, mostrar promoções e até controlar estoque. Uma prateleira que pensa. Tecnologia assim já foi vista em ação na chamada “Loja do Amanhã” em Cingapura.

A DoorDash, por sua vez, ficou famosa pelo delivery. Mas o que chama atenção agora é a expansão das entregas feitas por robôs autônomos. Começou com o robô Dot em Phoenix, depois fechou acordo com a Serve Robotics — que já tem mais de 2 mil robôs circulando pelos Estados Unidos. É o futuro entregando pizza. Literalmente.

E os outros? Whatnot, Warby Parker e Shopify

A lista se completa com mais três nomes interessantes. A Whatnot é um app de vendas por leilão ao vivo — uma mistura de live commerce com a adrenalina de dar lances. A Warby Parker revolucionou a experiência de comprar óculos ao deixar o cliente experimentar armações em casa antes de decidir. E a Shopify, já bastante conhecida no Brasil, continua democratizando o e-commerce para pequenos e médios empreendedores ao redor do mundo.

O que elas têm em comum?

Nenhuma dessas empresas virou tendência por acidente. Cada uma, à sua maneira, entendeu que o mercado não recompensa quem fica parado. Algumas apostaram em tecnologia. Outras em experiência. Outras em propósito. Mas todas fizeram a mesma coisa: ouviram o cliente e responderam com inteligência.

Como disse Saunders, da GlobalData: se o critério fosse só tamanho, Amazon e Walmart estariam aqui. Mas a lista da Time é sobre influência — sobre quem está ensinando os outros a pensar diferente. E nesse quesito, até um bichinho de pelúcia tem o que ensinar.

Fonte: Diário do Comércio

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Precificação: O Erro que Mata Negócios Antes dos 2 Anos https://tecendonegocios.com.br/precificacao-o-erro-que-mata-negocios-antes-dos-2-anos/ https://tecendonegocios.com.br/precificacao-o-erro-que-mata-negocios-antes-dos-2-anos/#respond Fri, 29 May 2026 20:43:35 +0000 https://tecendonegocios.com.br/precificacao-o-erro-que-mata-negocios-antes-dos-2-anos/ Vender bem mas cobrar errado é o caminho mais rápido para a falência. Veja como precificar do jeito certo.

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Tem um perfil de empreendedor que aparece com frequência desoladora nas estatísticas de falência: o negócio cheio de clientes, movimento intenso, muito trabalho — e sem dinheiro no caixa no final do mês. Às vezes, no vermelho. O diagnóstico quase sempre é o mesmo: precificação errada.

Segundo o Sebrae, 48% das micro e pequenas empresas brasileiras fecham antes de completar dois anos. Entre os fatores mais citados por quem fechou as portas, a precificação inadequada aparece consistentemente no topo — acima até de falta de crédito ou concorrência.

O erro clássico: olhar só para o concorrente

“Meu concorrente cobra R$ 80, então cobro R$ 75.” Essa lógica parece razoável até você perceber que não sabe se o concorrente está lucrando ou sangrando. Pode ser que ele também esteja precificando errado — e você está competindo para ver quem quebra mais rápido.

Preço justo não é o menor preço do mercado. É o preço que cobre todos os seus custos, remunera adequadamente o seu trabalho e ainda gera margem para reinvestimento e reserva.

A fórmula simples que todo empreendedor precisa conhecer

Antes de definir qualquer preço, você precisa ter clareza sobre três números:

Custo direto — tudo o que você gasta especificamente para entregar aquele produto ou serviço (matéria-prima, embalagem, frete, hora de trabalho direto).

Custo fixo rateado — aluguel, internet, contador, energia, ferramentas — dividido pelo número de produtos ou serviços que você vende por mês.

Margem de lucro desejada — não é “o que sobrar”. É uma decisão consciente. Para a maioria das PMEs, uma margem líquida entre 15% e 25% é saudável. Defina isso antes de calcular o preço final.

“Preço é o único elemento do mix de marketing que gera receita. Todos os outros geram custos.” — Philip Kotler

Se a conta feita corretamente gera um preço acima do mercado, você tem duas opções honestas: reduzir custos ou reposicionar o produto para um público que valorize mais o que você entrega. O que não dá é continuar vendendo barato e esperando que o volume resolva — porque geralmente só acelera o problema.

Revise seu preço agora. Com uma planilha simples e honestidade sobre seus números, você pode estar a um ajuste de distância da virada do seu negócio.

Tecendo Negócios — conectando empreendedores ao futuro.

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Cinquentou e Abriu Empresa: Os 45+ que Estao Mandando Ver no Empreendedorismo Brasileiro https://tecendonegocios.com.br/geracao-prata-no-empreendedorismo/ https://tecendonegocios.com.br/geracao-prata-no-empreendedorismo/#respond Fri, 29 May 2026 14:39:58 +0000 https://tecendonegocios.com.br/?p=801 Sabe aquela historinha que depois dos 45 anos só resta esperar a aposentadoria? Pois é, o Brasil acabou de rasgar esse roteiro, e na frente de todo mundo. Pela primeira vez na história do país, os profissionais com mais de 45 anos representam um terço dos novos empreendedores brasileiros. E não é achismo não: são […]

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O empreendedorismo na Geração Prata

Sabe aquela historinha que depois dos 45 anos só resta esperar a aposentadoria? Pois é, o Brasil acabou de rasgar esse roteiro, e na frente de todo mundo.

Pela primeira vez na história do país, os profissionais com mais de 45 anos representam um terço dos novos empreendedores brasileiros. E não é achismo não: são dados duros da pesquisa GEM 2025, realizada pelo Sebrae em parceria com a Anegepe. O número exato? 33,7% dos empreendedores iniciais estão nessa faixa etária. A maior proporção registrada desde que a pesquisa começou, lá em 2000.

Em bom português: enquanto muita gente jovem ainda está decidindo entre fazer faculdade ou virar influencer, o pessoal da meia-idade está abrindo CNPJ.

Por Que Isso Está Acontecendo?

A explicação tem dois ingredientes principais, segundo os especialistas:

1. Experiência + capital acumulado + saco cheio de chefe = empresa própria. Muita gente chega aos 45 com bagagem profissional pra vender, uma grana guardada e a clara consciência de que já passou da hora de trabalhar por conta própria.

2. O mercado de trabalho que não para de se reinventar (e às vezes empurra a gente). Etarismo é real, algoritmos de recrutamento eliminam currículos antes de qualquer entrevista, e a recolocação após os 45 pode ser uma maratona sem linha de chegada. Resultado: empreender vira tanto escolha quanto saída.

"Alguns chegam com experiência, capital e vontade de construir algo próprio. Outros encontram barreiras para se realocar. Os dois movimentos fortalecem os números."

Histórias Reais de Quem Botou a Mão na Massa

Luciana Aparecida de Faria, 45 anos, é um desses casos que parecem roteiro de filme. Arquiteta por 16 anos, resolveu voltar pra faculdade durante a pandemia para realizar um sonho antigo: virar cirurgiã-dentista. E não parou por aí: abriu uma franquia da OrthoDontic em Jacareí (SP) ao lado do marido Ismael, 55 anos. Investimento: R$ 250 mil do próprio bolso.

"Existe uma satisfação indescritível em acordar e trabalhar com aquilo que se ama de verdade."

Já Fábio Baida, 45 anos, ex-executivo de Itaú e Santander, decidiu que o mercado financeiro já tinha o suficiente da sua presença e partiu pra outro ramo: lavanderia de autosserviço. Abriu uma unidade da LavPop em novembro de 2024 e já inaugurou a segunda em 2025. O sogro cuida de uma, a mãe ajuda na outra. Empreendedorismo literalmente em família.

"Conforme estou ficando mais velho, vou ampliando minha cabeça de empreendedor."

E tem ainda Solange Feliciano, 48 anos, que enfrentou o etarismo de frente e fundou a Black Women In Tech em plena pandemia para capacitar mulheres negras em tecnologia. Três anos depois: 250 profissionais formadas, parceria com a Microsoft Brasil e 60% delas recolocadas no mercado de trabalho. Detalhe: 10% conseguiram emprego internacional. Com 10 MBAs no currículo, Solange hoje também é gerente na Junior Achievement Brasil.

O Que a Ciência (e o Sebrae) Dizem

Segundo Denis Nunes, analista do Sebrae Nacional, profissionais acima dos 45 tendem a empreender de forma mais planejada. Estudam mais o mercado, têm rede de contatos estabelecida e erraram o suficiente na vida pra saber o que não fazer. Mais da metade dos donos de pequenos negócios trabalhava com carteira assinada antes de abrir a própria empresa.

Aliás, um dado que Fábio aprecia com carinho: pouco depois de abrir sua segunda lavanderia, cabos de energia foram roubados da loja, gerando um prejuízo equivalente a meses de faturamento. Eles tinham reserva. O negócio sobreviveu. Lição: experiência de vida também ensina a guardar dinheiro pra emergência.

Mas nem tudo são Flores

O etarismo ainda é uma realidade velada em muitos processos seletivos. Eliane Aere alerta para o “viés algorítmico”: muitos profissionais são eliminados por software antes mesmo de chegarem à entrevista. O algoritmo não vê experiência, só vê ano de formatura.

A boa notícia: empresas mais inovadoras já começam a enxergar diversidade etária como vantagem competitiva. “O Brasil está envelhecendo e as empresas que não aprenderem a valorizar profissionais maduros vão perder inteligência, repertório e capacidade de inovação”, afirma Eliane.

Prova de que o vento pode soprar a favor: Fernanda Ribeiro Schreiner, 47 anos, advogada que morava no Canadá, voltou ao Brasil em 2023 temendo não conseguir recolocação pela idade. Em mês e meio já tinha emprego. Hoje é gerente jurídica do Insper, trabalhando com um time de gestores experientes.

"O mercado não fechou as portas para os profissionais 45+. Quem criar resistência à tecnologia ficará para trás — e isso vale pra qualquer idade."

O Resumo da Ópera

O Brasil está envelhecendo. As pessoas vivem mais, querem trabalhar mais e precisam se sustentar por mais tempo. O empreendedorismo 45+ é o mercado respondendo a essa realidade demográfica com criatividade, resiliência e, bom, muito CNPJ aberto.

Se você está chegando perto ou já ultrapassou essa marca, saiba: estatisticamente, você está em excelente companhia. E se ainda não sabe o que vai fazer, talvez seja hora de perguntar ao vizinho — ele provavelmente acabou de abrir uma empresa.

Baseado na matéria original publicada no Diário do Comércio | Maio 2026

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Você está cobrando barato demais: o erro de precificação que quebra PMEs https://tecendonegocios.com.br/voce-esta-cobrando-barato-demais-o-erro-de-precificacao-que-quebra-pmes/ https://tecendonegocios.com.br/voce-esta-cobrando-barato-demais-o-erro-de-precificacao-que-quebra-pmes/#respond Thu, 28 May 2026 19:49:39 +0000 https://tecendonegocios.com.br/voce-esta-cobrando-barato-demais-o-erro-de-precificacao-que-quebra-pmes/ Subprecificar é o erro mais silencioso e mais mortal de pequenas empresas. Veja como corrigir sem perder clientes.

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Existe um erro que mata negócios devagar, sem fazer barulho: cobrar menos do que deveria. Não por incompetência — por medo. Medo de perder o cliente, de parecer caro, de não vender. E esse medo custa caro.

A matemática que a maioria ignora

Imagine que você presta um serviço e cobra R$ 500. Seu custo real (tempo, ferramentas, deslocamento, impostos, pró-labore proporcional) é R$ 420. Sua margem é R$ 80 — 16%. Parece pouco, mas você acha que está “lucrando”.

Agora você perde 2 clientes num mês ruim. Sua receita cai R$ 1.000. Mas seus custos fixos continuam. Você entra no vermelho. E a saída instintiva é… oferecer desconto para atrair mais clientes. O ciclo piora.

Dados do Sebrae de 2025 indicam que 43% das micro e pequenas empresas brasileiras que fecham nos primeiros 3 anos têm problemas de precificação como fator contribuinte. Não venderam pouco — venderam mal precificado.

Como recalcular seu preço sem perder o cliente

O caminho não é aumentar tudo de uma vez. É reposicionar com inteligência:

  • Calcule seu custo real — inclua seu tempo como custo, não como lucro. Se você gasta 4 horas num projeto, quanto vale cada hora da sua vida?
  • Pesquise o mercado — não para copiar, mas para entender o teto. Muitas vezes o mercado aceita mais do que você imagina.
  • Crie versões do serviço — básico, intermediário e premium. Quem quer pagar menos, paga menos e recebe menos. Quem quer o melhor, paga mais.
  • Reajuste clientes antigos gradualmente — 10% a cada renovação de contrato é aceitável e raramente gera perda de cliente fiel.

“Preço baixo não conquista cliente bom. Conquista cliente que só fica enquanto você for o mais barato.”

O cliente certo paga o preço certo. Se toda negociação começa com o cliente pedindo desconto, talvez o problema não seja seu preço — seja para quem você está vendendo.

Revise sua tabela hoje. Seu negócio agradece — e seu cansaço também.

Tecendo Negócios — conectando empreendedores ao futuro.

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